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quarta-feira, março 26, 2008

Nova rubrica "À conversa com padre Mário"

Foi perseguido, preso, exonerado, tratado como uma espécie de "anti­cristo" em ponto pequeno. Tendo o perdão a importância que tem no cristianismo, já perdoou às pessoas responsáveis por tudo isto?

Posso ter inimigos, mas não sou inimigo de ninguém. Acho também que nunca tive que perdoar a ninguém, pela simples razão de que nunca cheguei a ficar contra ninguém. Ao longo dos anos, fizeram-me tudo isso que diz a pergunta e muito mais, mas eu nunca fiquei contra as pessoas que assim agiram comigo. Sempre continuei a tratá-las como pessoas, a respeitá-las e a amá-las. Ao mal que me fazem, procuro responder sempre com o bem. Recordo-me, a este propósito, que, depois do 25 de Abril de 74, fui chamado a depor no Tribunal de Extinção da Pide/DGS, onde estava a ser julgado o homem que o Tribunal tinha como o principal responsável pelas minhas duas prisões políticas em Caxias. O colectivo de Juízes fez questão de ouvir o meu depoimento, para, com base nele, poder condená-lo. Pois bem, eu cheguei ao Tribunal, olhei fraternalmente para o senhor Julinho (era assim que o povo da freguesia de Macieira da Lixa o tratava) e pedi de imediato a sua absolvição. Aos meus olhos, o que ele havia feito tinha sido por arrastamento de outros muito mais poderosos e influentes, que habilmente se tinham servido dele contra mim e ficaram sempre na sombra. O colectivo de Juízes ficou manifestamente perplexo com as minhas palavras, para não dizer, em estado de choque, mas teve que mandar em paz o acusado. Devo dizer, igualmente, que os meus braços de homem padre estão sempre abertos para abraçar todas as pessoas, inclusive, aquelas que me tenham feito mal, ou ainda venham a fazer. Acontece, porém, que, muitas vezes, as pessoas que me fazem mal não conseguem depois aceitar o abraço que lhes quero dar. Continuam a detestar-me. Prefeririam, se calhar, que eu as odiasse também a elas. Creio que até me detestam ainda mais por eu, ao ódio delas, responder com respeito e amor. Mas é assim que sou. Sem ter que fazer um esforço por aí além. Sou assim por natureza e também pela graça a que procuro estar permanentemente aberto. Acho que é assim que todos nós, mulheres e homens, haveremos de ser, se quisermos ser verdadeiramente humanos. Ao mal que nos façam, havemos de responder só com o bem. O nosso mundo será então de muito mais paz.

4 comentários:

Anónimo disse...

Padre é csempre Padre...
Pôr mais etiquetas que se ponham pertence todos ao mesmo sistemab opressivo das religiões....

Anónimo disse...

Padre é csempre Padre...
Pôr mais etiquetas que se ponham pertence todos ao mesmo sistemab opressivo das religiões....

@lm0creve disse...

Talvez se ingane cum este...
Veremos mai à frente...

Anónimo disse...

A minha relegião "católica" áh poucos séculos, QUEMAVAM PESSOAS VIVAS. cá puta de relegião é esta????? É SÓ MAFIOSOS, fazem tudo pelo PODER.
Vejam o filme "ESTIGMA"
Se DEUS descesse à terra, a primeira coisa que fazia éra ACABAR com a maior CAVÁLA de portugal, FATIMA.