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quinta-feira, abril 24, 2008

A Grade do Post anterior

(roubando um pouco da rubrica do atumnespereira)
Para os mais novos:

A grade era uma grelha feita de madeira, sob a qual era colocado um peso para que os dentes de madeira em forma de lâmina enterrasse na terra.
Era puxada, por burros, cavalos, machos, mulas, bois...
Servia para desterroar a terra depois de lavrada e torna-la mais "fofa" para semear ou para gradar depois de espalhada uma semente...se bem que na Ferraria havia lá cada calhau que até fazia faísca, que tratada a terra ou não, quando se acertava num calhau parecia ficar doente de Parkinson por momentos .
Uma vez, tinha eu 4 ou 5 anitos, o meu avô, T´Xquim Bernardo punha-me a fazer Surf juntamente com uma pedra em cima da grade...um vez enfiei o pé no intervalo da grelha, andei meio hora à procura da sapatilha.
Eram tempos um pouco mais lixados que hoje...e nas vinha o trabalho tinha de ser humano...A propósito vou-me confessar:

Uma vez enganámos o meu pai:
Tinhamos lá uma boa vinha, com cerca de 1/2Ha, dava branco com 12 graus (dificil nos solos de Casegas). Tinha eu uns 10 anitos, mais ou menos...o meu irmão um pouco mais velho...O meu pai propôs-nos cavar a vinha por 12 contos se quizessemos, em vez de contratar alguém. Ora como na altura, os papás e as mamãs não enchiam os bolsos de dinheiro aos putos a torto e a direito como é agora e se fizéssemos birra ainda levávamos nas trombas por cima,resolvemos aceitar Hercúlea tarefa lol

Resultado: Uma turra infernal, só de olhar para o cimo da vinha, o desânimo era notório, comparado, só as ida a pé ás serra quando nunca mais se viam as torres...
Depressa chegámos á conclusão que aquilo não "ia dar"...
- Então como vamos resolver isto?
Bem, para não sermos completamente desonestos, decidimos, cavar em volta das videiras, e a terra cavada, espalha-la pela não cavada, para que ficasse tudo castanho cor de terra.
Mas depois havia outro problema...o tempo! Não podíamos acabar muito depressa, logo, cavávamos de manhã, comíamos a merenda ao almoço, e dormíamos a sesta e ala pa casa que à tarde não se podia lá andar.

Foi sol de pouca dura, não levou muito tempo, o Ti Zé Francela, ou o T´Zé Almedilha, que por ali passavam todos os dias, logo se encarregaram de nos "xibar"
"- Olha que eles anda lá só a emborralhar a vinha!" lol
Claro que deu bronca, mas já tinhamos o dinheiro no bolso heh!
Fogo...eramos putos a cavar meio campo de futebol em solo cheio de pedras com cerca de 800 a 1000 videiras...vai lá vai...

Acho que não foi grave!
Na altura levámos com a correia de pneu, mas já não me doi! heheh!!!

20 anos depois...
O Ti Zé Julio, pai do Henrique, meu cunhado, inventou uma geringonça que liga ao tractor, cava no intervalo das videiras, detecta a cepa, salta fora e entra outra vez a seguir...Se o conhecessemos na altura, chamávamos-lhe um figo, meu amigo! lol

1 comentário:

Eddy Nelson disse...

um encanto, estas "estórias" em torno de uma alfaia agricola. são estes discursos que ajudam a construir uma memória e um património...

abraço.