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domingo, fevereiro 03, 2008

Prémio "orelhas de burro" com efeitos retroactivos vai para...


OS RESPONSÁVEIS POR TEREM IMPEDIDO ATUMNESPEREIRA DE TER EFECTUADO O RESTAURO DO TECTO DA CAPELA DS ALMAS EM SIMULTÂNEO PARA O ANÓNIMO DO COMENTÁRIO

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Então sr.Asno,sempre em cima dos acontecimentos e não conhece o património de Casegas? Não é Caseguense ou então é mesmo burro a valer!... Fica aqui a informação: Depois de uma noite fria e chuvosa,ao romper da manhã do dia 21 de Janeiro de 1985, ocorreu um curto circuito no tecto da capela seguido de incêndio que provocou a derrocada do telhado.Desta forma lá se foram as pinturas e o património de Casegas ficou mais pobre."

"É Certo que o teto e parte da parede que dá para a Rua da Ti Branca caiu. Mas não foi por nenhum curto circuito. A Capela e a irmandade das almas já à muito que estavam abandonadas pela Igreja e seus responsáveis. para que se saiba, a Irmandade das Almas emprestava dinheiro a 4% e esse, com as cotas dos associados, os "irmãos" era o seu rendimento. Era com o fruto desses investimentos que cumpria com as suas obrigações estatutárias. Sucede que algures no reinado de sua excelência o Senhor Salazar, emprestar dinheiro cobrando juros passou a ser uma prorrogativa dos Bancos e instituiu-se o crime de usura a quem, não sendo instituição bancária, emprestasse dinheiro e cobrasse juros. Um dos grandes rendimentos da Irmandade acabou por decreto do Professor. Ora sussede, que quando o Sr. Padre Nicolau veio tomar conta da paróquia, encontrou a Igreja meia construida, sem dinheiro para a acabar e pediu sacrifícios a toda a gente. Ranchos de caseguences iam aos domingos lavar areias para a ribeira da panasqueira catando o volfrámio que depois de vendido serviria para custear as obras. As confrarias, todas deram o seu dinheiro para custear coisas na igreja. Mas a Irmandade, como se regia por uns estatutos autónomos recusava-se a entregar o dinheiro que era necessário para custear as suas obrigações. Até que...
Os homens fortes da igreja passam a ser também a direcção da irmandade e, assim tomado o poder numa luta palaciana a igreja fez-se ao dinheiro da irmandade.
Mas mesmo assim, o dinheiro para custear as obras não chegava. O senhor padre Nicolau, escreveu uma carta aos monumentos nacionais para ver se se conseguia um subsídio. Sucede que nas suas horas vagas, O senhor padre, se entretinha a arranjar o espaço que estava en redor do edifício da igreja, cavando no que viria a ser o futuro jardim da igreja. É que para ali tinham sido transportados carros de entulho da demolição da igreja velha e que iria ser utilizado para regularizar a àrea en redor da Igreja Nova. Num desses dias em que andava ali a cavar, descobriu uns azulejos da igreja antiga e guardou-os numa das novas sacristias. Segundo palavras do senhor padre, era uma coixa da polvora das minas cheia de azulejos.
Chegam os senhores dos Monumentos Nacionais, e dizem ao senhor padre que não, que a nova igreja não é propriamente um "Monumento Histórico Nacional" Que a função do instituto não é construir mas recuperar eteceteraetal e, estava o senhor nesta ladainha e os seus olhos deram com a caixa de azulejos. Moral da história, O Instituto contribuiu para uma obra nova e com muito dinheiro. Os senhores que fizeram a visita ficaram com os azulejos e Casegas com o dinheiro para contruir o edifício que conhecemos.
Mas isso é outra história, voltemos então à Capela das almas. Meu Pai estava na direcção embora não fosse o juiz. Tentou-se fazer obras mas não vinha autorização. Ou seja, as pessoas encontravam-se de mãos atadas. A água entrava a rodos de cada vez que chovia e a parede apresentava uma barriga que metia respeito. A capela não tinha electricidade. Nessa fatidica noite choveu a cântaros e o inevitável acabou por se dar. A parede ruiu e arrastou parte do telhado. Dos Doze apostolos, dois desapareceram de imediacto.Estou a falar, claro, do apostolado que se encontrava pintado no tecto. Fez-se o que se tinha que fazer que foi de urgência retirar da Capela todos os objectos liturgicos, artísticos e documentales que pudessem ser roubados ou degradarem-se nas condições em que a capela estava. Foi feito um iventário (Fi-lo eu), de tudo o que saiu e de para onde foi. Houve peripécias de que nem vale a pena estar a falar agora e as coisas seguiram o seu rumo. Eu era estudante na Faculdade de Belas Artes e era guarda da P.S.P., Contactei com a nova direcção da irmandade dizendo-lhes da minha disponibilidade para ajudar na desmontagem do teto, na catalogação de todas as tábuas para depois se proceder à remontagem quando se recuperasse, usando para isso o meu períudo de férias. Volto a dizer, que dos doze apostolos que estavam pintados no teto somente se tinham perdido dois. Pois, numa das minhas deslocações a Casegas, sou informado que o teto tinha sido desmantelado sem critério e vendido para lenha. Curto circuito? Só se foi no cérebro de quem deu a ordem e a autorização para se fazer tamanho crime.

Aliás, sobre esta relação entre a Igreja e a irmandade, Meu primo Joaquim Vaz, escreveu umas quadras que narram esta história toda. Claro que depois do saque, A irmandade apenas gastava o dinheiro que tinha que gastar com a morte dos irmãos e deixou de festejar a Festa de Santa Cruz e nunca mais celebrou as endoênças. É que não havia dinheiro para isso. Da manutenção do edifício nem é bom falar. E, mais uma vez, não estava ligado à rede de electricidade. não possuia nenhuma instalação electrica e em consequência não sofreu nenhum curto circuito. Foi definhando como definham as instituições em Portugal..."
by atumnespereira

(comentário extraído dos comentários do post anterior)

2 comentários:

Anónimo disse...

O caciquismo caseguense dá nestas coisas...
Bom contributo João.

Manjedoura disse...

Casegas tem o que merece.