sábado, agosto 13, 2011
terça-feira, setembro 30, 2008
Os pobres e os Povos desarmados à condução da História, já!
2008 SETEMBRO 30
O Grande Capital sempre foi louco, intrinsecamente demente-demente, perverso, mentiroso e assassino. A Ordem Económico-Financeira Mundial por ele gerada só poderia acabar por ser uma (Des)Ordem Mundial à sua imagem e semelhança. Deveríamos saber isso, desde sempre. Por mim, não me tenho cansado de o lembrar. Sem grande sucesso. Ou mesmo sem nenhum sucesso. Porque, infelizmente, os que continuam aí a conduzir a História ainda não são os pobres e os povos desarmados como eu, mas os grandes ricos e os poderosos como Bush e como o papa de Roma. Juntamente com todos os seus assessores, qual deles o mais demente-demente. Por sinal, todos m
uito mais loucos, dementes-dementes, perversos e assassinos que o Grande Capital. Porque foram os grandes ricos e poderosos do mundo que pariram o Grande Capital. E ele, uma vez independente deles e dos povos do mundo, está hoje aí, finalmente, a fazer de todos nós, gato-sapato. Entre nós próprios, os seres humanos, e o Grande Capital , sempre temos corrido, na peugada dos grandes ricos e dos poderosos, a escolher o Grande Capital, em vez de nos escolhermos a nós próprios e ao Planeta. Deveríamos travá-los, aos grandes ricos e aos poderosos do mundo, e travar o Grande Capital, ter mão neles e nele. Infelizmente, corremos mais eles e, na nossa demência-demência, até os constituímos nossos guias, nossos chefes, nossos reis, os Executivos das nossas nações. Semelhante demência-demência humana só podia dar no que deu. E hoje, o Século XXI que poderia e deveria ser o século da plenitude do Humano, está a ser o da plenitude da demência-demência humana. Estamos todos - pessoas, povos e planeta - sob o jugo do Império do Grande Capital. Até hoje, não descansamos enquanto não criamos e alimentamos um Ídolo maior do que nós, o Grande Deus Dinheiro, em lugar de trabalharmos dia e noite para levarmos a nossa própria criação, como seres humanos, ao seu termo. Agora, o Ídolo ou Grande Deus Dinheiro que criámos tornou-se um Monstro, uma Besta indomável, e passou a mandar em nós. É a Descriação humana no seu pior. Estamos, por isso, de regresso ao Caos. Não, obviamente, ao Caos inicial, que esse ainda foi o do Começo da vida. Ao princípio, era o Caos, diz o texto bíblico, no seu primeiro livro, o do Génesis. O de hoje, obra da nossa demência-demência, é o Caos da Sucata, do Ferro-velho, da Desagregação, da Descriação, da Morte global. Jesus, o de Nazaré, o Humano por antonomásia, o Alfa e Ómega do Humano, bem advertiu os seus irmãos humanos, as mulheres e os homens do planeta, sobre o desviado rumo que estávamos a imprimir à História e que, se prosseguíssemos por ele, acabaríamos todos no Abismo. Disse-o com a solenidade dos grandes Momentos. Assim: "Atenção! Ninguém pode servir a dois Senhores com objectivos opostos entre si. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro". Riram-se dele, na altura, os saduceus, que já então gostavam muito de Dinheiro. Ainda hoje, se riem. E com os saduceus, riram-se também os sumos-sacerdotes do Templo de Jerusalém, o rei Herodes e, sobretudo, o imperador de Roma. Ainda hoje se riem. Trataram-no todos à uma como o louco dos loucos. Ainda hoje, tratam. E, quando ele se atreveu a dar um passo mais e lhes disse, olhos nos olhos, que os loucos eram eles, por isso, cegos e guias cegos, eles não suportaram tanta Verdade desarmada e correram a matá-lo na Cruz do seu Império, para que nunca mais ninguém se atrevesse a repetir semelhante Verdade, aos ouvidos deles, pura blasfémia. Ainda hoje fazem o mesmo. Mas eis que, vinte séculos depois, os factos estão aí bem à vista. Só que os cegos e guias cegos do planeta continuam a não querer ver. E, perante o Caos global da Sucata e da Morte a que conduziu a sua demência-demência humana, insistem demencialmente nela. Em vez de decapitarem o Grande Capital, correm, na demência das demências, a fornecer-lhe milhares e milhares de milhões de dólares e de euros. São tão cegos, que ainda não viram que o Grande Capital o que pretende não é apenas nem sobretudo mais capital. Também o quer, é verdade, e cada vez mais concentrado, cada vez mais acumulado em poucas mãos. Mas o que o Grande Capital mais quer são as pessoas e os povos, são os seres humanos. Até reduzir tudo a Sucata, a Morte. O Grande Capital odeia a vida humana, os afectos, a ternura, o carinho, a paz, o prazer, o beijo, o abraço, a mesa-partilhada, o ar puro, a beleza, a poesia, a cultura, a arte, a graça e a verdade, numa palavra, a Política feita de Práticas maiêuticas ou libertadoras. Jesus, o de Nazaré, a Luz do Mundo, percebeu como ninguém que o Grande Capital é o inimigo número um dos Seres Humanos e dos Povos. Os Seres Humanos e os Povos ainda não perceberam. Nem querem perceber. E, por isso, estes nossos dias são de demência-demência humana. E poderão levar à Demência Global. Se assim for, acabaremos todos numa guerra global, cósmica como nunca houve desde o início, com bomba atómica e nuclear e tudo. Ou mudamos de rumo e de líderes, ou corremos a alta velocidade para o Caos da Sucata, da Morte. Ou decapitamos já o Grande Capital e temos mão nos seus Executivos mundiais dementes-dementes, ou acabamos juntamente com eles no Grande Abismo. O século XXI - volto a dizê-lo aqui com a solenidade dos grandes Momentos - será jesuânico, ou não será. A escolha é nossa. Cada dia que passa sem escolhermos e escolhermos bem, torna-se muito mais difícil evitar o Caos da Sucata, da Morte. Apressemo-nos a escolher bem e a decidir bem. Distrairmo-nos nestes dias com os futebóis dos Milhões e com o vomitado discurso do sucesso do nosso pinóquio primeiro-ministro, chega a ser obsceno. Decapitemos o Grande Capital. Mudemos de rumo. Cooperemos activamente com Deus-Vivo-e-Criador, mais íntimo a nós do que nós próprios, para levarmos à plenitude a Criação dos seres humanos que o Grande Capital tem sistematicamente impedido. Os pobres e os Povos desarmados à condução da História, já! É Hora!
segunda-feira, setembro 29, 2008
O piquenique da educação
Encontrei isto nos meus passeios pela blogosfera encontrei isto no blog “mg8 the queen”
E aí anda a excursão atrás do Sr. Sócrates, a distribuir os "Magalhães", pelas escolas públicas, e o resto???
Querem saber de uma situação caricata (que acredito que não seja a única neste país). No Magoito existe uma escola primária, onde juntaram os alunos de duas outras de localidades perto, por dizerem que não tinham alunos suficientes, e agora não existem nesta, salas suficientes para albergar todos os alunos.
Foi falado em reuniões que seriam necessárias mais 2 salas de aula. Resposta a quem de direito: - Não existem verbas suficientes!!! Mas adivinhem, a mesma entidade, vai renovar um parque de merendas e piqueniques no Magoito. Obra, orçada em 923.688,41€
Resultado, como as crianças não podem ficar amontoadas, tipo aviários, vão ser os pais dos alunos, que se vão juntar e construir as ditas salas... Dá vontade de rir ou não dá??....
Haverá mais alguma coisa a dizer sobre as prioridades e as politicas de desta gente?
sexta-feira, setembro 26, 2008
Á conversa com Padre Mário
A reitoria do santuário de Fátima mudou de mãos. Saiu o Padre Luciano Guerra, entrou o Pe. Virgílio Antunes, da mesma Diocese de Leiria-Fátima. A cerimónia da passagem do testemunho da vergonha e da mentira decorreu ontem na nova basílica, a tal que custou 80 milhões de euros. Lá dentro, houve a missa da praxe, e, dali, a cerimónia passou para a assim chamada "capelinha das aparições", onde o novo reitor empossado fez uma declaração-consagração absolutamente patética e teologicamente delirante, endereçada à imagem da deusa que ali é adorada por uns cinco milhões de pessoas cada ano, quase sempre as mesmas, as quais, enquanto não se libertarem dos medos e dos traumas que carregam desde a infância e até já herdaram nos seus genes, e não conseguirem que lhes saia o euromilhões, nunca desistirão de continuar a correr para lá, numa macabra romaria com tudo de auto-flagelação pública. Houvesse um pingo de vergonha e de dignidade humana nas palavras e nos actos dos eclesiásticos fatimistas, a começar, obviamente, no Bispo da Diocese, e o novo reitor seria, ali mesmo, destituído de funções. As coisas que disse, em forma de oração endereçada àquela imagem com tanto de branco como de cruel, é de bradar aos céus e à terra. Foi uma oração com todos os ingredientes das orações que os sacerdotes dos primitivos cultos do Paganismo religioso endereçavam às suas deusas e aos seus deuses de mentira e de opressão. Foi uma consagração típica de um clérigo a quem proibiram os afectos e roubaram a liberdade de casar e de ter filhos, capaz, por isso, de fazer chorar as pedras, tão teologicamente beata, insensata e delirante ela foi. A presidir a toda esta encenação que ajuda a esconder tudo o que em Fátima há de "sujo" e de "indigno", de perverso e de demoníaco, esteve o Bispo titular da diocese, acompanhado de mais três bispos eméritos e cerca de uma centena de sacerdotes. As restantes centenas de pessoas presentes foram as habituais nestes actos irracionais, as multidões fatimodependentes que nunca dispensam pitada do que ali se passar, pois são multidões que sentem uma patológica atracção por tudo o que é sofrimento, dor, depressão, tristeza, luto, doença, humilhação, cheiro a cera queimada, mau gosto, rezas mecanizadas. Incapazes de se assumirem como pessoas humanas, livres e protagonistas da História, realizam-se assim com este tipo de manifestações, as mais absurdas e as mais aberrantes e deprimentes. Ao que sempre dizem como numa cassete gravada, estas manifestações deixam-lhes uma sensação de bem-estar, de paz, de consolo, de repouso. Mas são o bem-estar, a paz, o consolo e o repouso que sempre sentem todos os deprimidos quando topam e entram em espaços e universos como o de Fátima, encharcados de ópio religioso por todos os lados, sem um centímetro quadrado de lucidez e de bom senso, de dignidade humana e de sapiência, aquela que resulta da Verdade que nos faz livres e da Liberdade que nos faz mulheres e homens como Jesus, cheios de Espírito Santo, por isso, cheios de ternura e de afecto criadores e libertadores que, ao contrário das fatimodependentes, vivem(os) para libertar e curar as multidões que continuam aí possessas deste tipo de "demónios" e de outros ainda muito mais agressivos e violentos que se fazem passar por "Ordem Mundial". Sabemos bem que é por aqui, por esta via da lucidez e da dignidade humanas, que vão as pessoas que vivem a mesma Fé de Jesus. Nunca serão muitas, porque é manifestamente um viver histórico de alto risco, onde se pode perder a vida e sempre ou quase sempre se perde o bom nome. As maiorias preferem a Fé religiosa, ópio do povo, pura alienação, idolatria, alimentadora de deprimidos. Fátima e a imagem da sua deusa é por aí que navegam e, por isso, são multidões as que correm para lá. Nunca a Igreja que se reclama de Jesus poderá estar com "aquilo", mas, como se vê, continua lá enterrada até aos ossos. É o cúmulo da traição a Jesus, à sua via, ao seu Espírito. E à Humanidade. Podem juntar-se lá os bispos todos de todo o mundo, os cardeais e até o papa de Roma. Nem assim a Mentira passa a ser Verdade. Continuará a ser Mentira. Quem sai a perder é a Humanidade, são os Povos da Terra, é a própria Igreja católica. Parece que a Igreja católica ganha, porque tem com ela multidões, mas sai sempre a perder. Estrondosamente. Porque aquelas que lá vão, são multidões que fogem da Fé de Jesus, porque esta, ao contrário da fé religiosa que as adormece e anestesia, "puxa" por elas para que elas deixem de ser como ovelhas sem pastor e passem a ser pessoas humanas com Espírito, pessoas com dignidade, pessoas livres e autogestionárias, outros Jesus, hoje e aqui. E isso essas multidões fatimistas não querem. Preferem as deusas e os deuses da sua alienação, gemer e chorar a vida inteira, assumir a vida como um dramático e trágico destino, um castigo, um penar, um sofrer sem fim. A dignidade humana, a liberdade, a sapiência, a lucidez, a alegria, a plenitude de vida custam muito, nomeadamente, neste século XXI totalmente dominado pelo Império do Dinheiro e pela Demência-demência, onde tudo se compra e se vende, até as pessoas. Este, por isso, é o tempo maior da Idolatria. E em tempos assim, nem os intelectuais resistem e passam-se (quase) todos para o bando do Império do Dinheiro e da Demência-demência, a troco de sucessivos pratos de lentilhas. O Pe. Luciano Guerra, se quisesse ver as coisas do direito e não do avesso, do lado da Verdade e não da Mentira, teria muito para nos revelar num livro de Memórias que deveria escrever, depois destes 35 anos como reitor do santuário maior da Mentira e do Crime. Diriam, se ele tivesse semelhante audácia, que estava louco e senil. Infelizmente - oxalá eu me engane! - nunca ele será capaz de tamanha dignidade. Morrerá, por isso, na Mentira que ajudou a alimentar todos estes anos de reitor. Poderá, inclusive, vir a ser beatificado e até canonizado um dia, porque os mentirosos reconhecem-se e encobrem-se uns aos outros. Para seu mal. E para sua vergonha. Porque só a Verdade, como diz Jesus, o do Evangelho de João, nos faz livres e dignos, ainda que oficialmente humilhados e amaldiçoados pelos profissionais da Mentira e da Idolatria que estão nos lugares-chave das instituições religiosas e dos Executivos das nações. O Pe. Virgílio Antunes que lhe sucede receberá as mesmas "instruções", ficará de posse do mesmo "segredo". Será, certamente - oxalá me engane! - um eficiente actor eclesiástico, nunca um Homem, o Homem. E, assim, o dinheiro sujo e outros negócios perversos poderão continuar a passar pelos corredores e pelos subterrâneos de Fátima, cujos dois santuários, juntamente com a capelinha da Idolatria ajudarão a encobrir. A mim, não enganam eles. E a muitas outras pessoas mais do país e do mundo que já não embarcam naquilo. Saibam, entretanto, que de tudo aquilo não ficará pedra sobre pedra, quando, finalmente, chegar a Humanidade sapiente-sapiente, hoje, ainda em vias de criação na História. Jesus, o de Nazaré, a quem crucificaram, é já essa Humanidade sapiente-sapiente. Por isso, ninguém o vê por lá, ainda que alguns sacrilegamente invoquem o seu nome. A ele, garanto-lhes eu, nunca o verão por lá. E, se alguma vez o virem, só poderá ser no corpo das vítimas de tudo aquilo, nunca nos seus carrascos, nos seus verdugos, nos seus algozes, nomeadamente, nos clérigos de proa e nos outros seus subalternos que, em vez de Evangelho de Deus, insistem em dar às populações imagens-de-senhora-de-fátima, o que perfaz um crime sem perdão. O crime que Fátima é, desde Maio de 1917. Apareça o primeiro teólogo jesuânico a desmentir-me!
Padre Mário
sexta-feira, agosto 22, 2008
Á conversa com Padre Mário. Cavaco e divórcios.


Estou espantado com a leviandade com que o bispo Carlos Azevedo, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa e Auxiliar do Patriarcado, acaba de acusar os deputados da Assembleia da República de "leviandade", por terem aprovado, com a legitimidade que o mandato lhes confere, uma lei que introduz grandes e significativas alterações à actual lei do divórcio, e que ontem, surpreendentemente, foi vetada pelo presidente Cavaco, com razões e argumentos retrógrados e moralistas que vão, obviamente, ao encontro da hierarquia católica, da qual ele é, notoriamente, desde a sua meninice, um dos seus mais fiéis súbditos, juntamente com a sua mulher primeira dama, um e outra, neste momento, mais do que empenhados - este veto não podia ser mais revelador - em garantirem um novo mandato presidencial de cinco anos à frente do país, quando o que agora está em curso chegar ao seu termo. "Ainda bem - diz o bispo Carlos Azevedo, na sua hipócrita e leviana reacção ao veto presidencial - que o Presidente da República teve em conta o maior bem das pessoas e é uma consciência ética, crítica da leviandade com que muitas vezes o Parlamento produz leis". O país ficou, assim, a saber que, no sentir do colectivo dos bispos católicos portugueses, o Parlamento português tem sido "muitas vezes" leviano, no acto de produzir leis que regulam a o nosso viver nacional em sociedade. E, pelos vistos, "muitas vezes". A afirmação é gravíssima e poderá abrir uma guerra entre a hierarquia católica e o Estado português. Uma guerra que eu, pessoalmente, saudaria, porque poderia vir a pôr termo - é o divórcio que eu mais desejo - a esta vergonhosa mancebia entre o Estado português e a Igreja católica que vem já desde 1940, quando o ditador Salazar assinou uma Concordata com o Estado do Vaticano. Esse, sim, seria um divórcio ético e exemplar que agradaria muito a Deus, o de Jesus, e que libertaria a Igreja, toda a Igreja católica, para a fecunda profecia martirial e duélica que lhe cumpre viver / protagonizar na História, em vez de apenas insistir neste tipo de denúncias pontuais, para cúmulo, feitas sempre em busca de mais e mais privilégios eclesiásticos, qual deles o mais nojento. Regressaríamos, então, com esse divórcio - e que alegria a minha como presbítero da Igreja do Porto, se tal sucedesse! - a 1911 e à Lei da separação entre a Igreja e o Estado, a única situação verdadeiramente saudável para o Estado português e para a Igreja católica em Portugal. Mas isto já não quer o colectivo dos bispos católicos portugueses. A consciência ética de que fala o bispo Carlos Azevedo, em nome de todos eles, não é deste quilate. Antes fosse. Não passa de uma ética meramente oportunista, à caça de privilégios perdidos. No fundo, o que o colectivo dos bispos católicos portugueses deseja é o regresso em força à velha Cristandade que durou até à implantação da República - clero, nobreza e povo, lembram-se?! - em que os bispos e os seus párocos tinham no Estado o seu braço secular, sempre pronto a fazer cumprir as suas leis, as suas decisões canónicas, o seu Moralismo infantilizador, uma espécie de sacristão sempre disponível para executar a soberana vontade do clérigo no altar, a segui-lo como cão fiel para todo o lado e a obedecer-lhe sem nunca lhe refilar, sem nunca lhe ladrar, sob pena de poder acabar excomungado! O colectivo dos bispos católicos portugueses e os bispos da Igreja católica em geral ainda não sabem viver numa sociedade secularizada, laica, como é hoje a nossa e, infelizmente, ainda muito pouco. Como tal, não perdem uma única oportunidade, para tentarem fazer a sociedade regressar à velha Cristandade que, por sinal, jamais deveria ter existido. O bispo Carlos Azevedo, neste particular, é por demais reincidente e parece que já nem tem emenda. Desde que fizeram dele bispo auxiliar do Patriarcado e porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa e responsável por outras ninharias eclesiásticas mais, o Poder subiu-lhe à cabeça e, de homem da mística e da espiritualidade que era e que eu pessoalmente conheci e apreciei, tornou-se no que hoje está aí bem à vista de toda a gente. Digo-o com tristeza. Melhor ele tivesse continuado pelo resto da sua vida na condição de presbítero, discreto acompanhante espiritual maiêutico das pessoas, um ministério em que foi altamente fecundo. Agora, como bispo-poder eclesiástico, é de uma aflitiva esterilidade, como os espinheiros, porque tudo o que diz e faz tem a marca do Poder, do Privilégio, da Arrogância, não tem a marca do Espírito, o de Jesus. Oxalá ele me oiça e tenha a simplicidade de regressar à alegria e à paz com que anteriormente sempre se apresentava vestido. Quanto ao veto de Cavaco e da sua primeira dama, provavelmente, soprado por algum clérigo com mais entrada na vida do casal católico que ambos fazem questão de dizer publicamente que são, espero que o Parlamento saiba manter-se firme no essencial da lei que já aprovou. Não faça como o primeiro-ministro Guterres que ia por tudo o que lhe dissesse / soprasse o seu confessor Milícias, com um viver muito pouco franciscano, ou não fosse totalmente verdade que o hábito só por si nunca faz o monge, no caso, o franciscano. Em vez disso, saiba resistir com audácia e lucidez a mais esta investida da hierarquia católica, via presidente Cavaco e sua primeira dama. E, já agora, aproveitem também a ocasião para dizerem ao bispo Carlos Azevedo e ao colectivo de bispos de que ele é o porta-voz que, se quiserem ter voto nesta matéria do divórcio civil, comecem por reconhecer àquelas e àqueles que um dia, levados pela pressão da tradição, do medo, do moralismo e, também, pela vaidade, realizara, o chamado casamento canónico ou pela Igreja e, por via disso, ficam para sempre condenados a ter de viver amarrados um ao outro, mesmo que o casamento se tenha convertido num autêntico inferno para ela e para ele, assim como para os filhos e as filhas de ambos. Digam-lhes que, se quiserem ter voto nesta matéria, comecem, primeiro, por acabar com o casamento canónico, em favor do Sacramento do Matrimónio sem a prepotente ingerência do pároco da noiva ou do noivo, e, depois, ainda reconheçam, também no interior da Igreja, que aquilo que o Amor já separou, o Poder eclesiástico não continue, teimosa e sadicamente, a manter unido. Enquanto não forem capazes de um nível ético deste quilate, então que, pelo menos, permaneçam calados e deixem a Sociedade seguir o seu curso. Na Liberdade, rumo à Maioridade Humana!
Padre Mário
terça-feira, maio 13, 2008
O que aconteceu em Fátima a 13 de Maio de 1917?
Resposta de Padre Mário:Começo por declarar que Fátima é, porventura, a maior mentira fabricada por um certo tipo de Catolicismo português que, estranha e escandalosamente, sempre contou e continua ainda hoje a contar, apesar de entretanto ter acontecido o Concílio Vaticano II, com o reconhecimento da generalidade dos Bispos, da Cúria Romana e até do Papa, nomeadamente, do actual Papa João Paulo II, que, como se sabe, é um dos filhos mais idolatrados da católica Polónia e um fruto acabado do seu feroz anticomunismo/anti-ateísmo primário. O que aconteceu em Fátima em 13 de Maio de 1917? Depois de muito me ter debruçado sobre o fenómeno, cheguei à conclusão de que o dia 13 de Maio de 1917 foi o início da fabricação da grande mentira que é hoje Fátima. O clero da região preparou tudo ao pormenor e fez acontecer aquela "aparição". Depois, a credulidade e a crassa ignorância teológica e evangélica das populações da época, mais o obscurantismo e o medo em que viviam no seu dia a dia, fizeram o resto. Até fizeram acontecer o chamado "milagre do sol", uma inventona objectivamente boba e humanamente ignóbil. Que fique bem claro, duma vez por todas: Não há, nunca houve, nem jamais haverá aparições de Maria, mãe de Jesus, a ninguém, crianças ou adultos, mulheres ou homens. Apareça o primeiro teólogo cristão que me desminta de forma fundamentada. Por isso, tudo o que se disser a este respeito – e muito se tem dito e escrito, infelizmente – é mentira, fantasia, exploração da credulidade das pessoas simples e ingenuamente propensas ao maravilhoso. Não tem qualquer verdade objectiva e cientificamente comprovada. E repugna ao núcleo essencial da Fé cristã jesuânica! O que as três crianças de Fátima "viram" e "ouviram" – se é que elas viram e ouviram alguma coisa no dia 13 de Maio de 1917 – foi apenas o que elas já tinham nos seus próprios cérebros aterrorizados pelas pregações da Santa Missão e pela leitura em família do livro Missão Abreviada. Porém, pela forma como toda esta mentira foi inicialmente montada e é oficialmente relatada, o mais que pode ter acontecido foi uma dramatização teatral, em que Lúcia, a mais velha das três crianças, fez o papel de actriz principal. Nada mais do que isso. E se dissermos que em Fátima houve uma manifestação do "divino" ou uma comunicação do "céu" com a terra, mentimos com quantos dentes temos na boca. Um tal "divino" não passaria, afinal, de demoníaco. Aliás, é este demoníaco que, em nós, no nosso inconsciente individual e sobretudo colectivo, sempre espera, pede, reclama e exige de Deus "milagres", manifestações do "sobrenatural". Pelos frutos – diz Jesus no Evangelho – se conhece a árvore. Neste caso, se conhece Fátima. Ora, os frutos de Fátima e da sua senhora cega, surda e muda foram e continuam a ser tão perversos, tão inumanos, tão cruéis, tão alienadores, tão anti-Evangelho, tão anti‑Jesus de Nazaré e até tão anti-Maria, sua mãe, que nada daquilo pode ter o "selo" ou a "marca" de Deus, pelo menos, do Deus de Jesus e de Maria. Tudo aquilo é idolatria, alienação, exploração, culto do medo, covil de ladrões. Por isso, digo sem hesitar: quanto mais a Igreja católica se identificar com Fátima, mais perderá em autenticidade e em credibilidade. Fátima tem sido e continuará a ser, se a Igreja teimar em manter-se lá a arrecadar todos aqueles milhões de euros por ano e todo aquele ouro levado pelas populações adoentadas e maltratadas por economias e políticas sem misericórdia, o vírus que corrompe e paganiza o Cristianismo jesuânico.
A cova dos milhões. O cemitério da Igreja.
Pe. Mário de Oliveira
segunda-feira, abril 07, 2008
...o segredo da resistência ao autoritarismo e à opressão é ousarmos ser cem por cento humanos(...)
Não direi própriamente: "fazer ainda pior". Para mim, o segredo da resistência ao autoritarismo e à opressão é ousarmos ser cem por cento humanos, sem nunca recuarmos, sejam quais forem as circunstâncias. Porque se, perante esses e outros males, recuamos em humanidade, podemos acabar transformados em minhocas, em coisas, em meros funcionários. O autoritarismo e a opressão nunca podem ser acatados por ninguém, indivíduo ou povo, que se preze. Têm que ser combatidos. Sempre. Com muita imaginação e inteligência. Uma das maneiras mais eficazes de atacar esses males é praticar a resistência activa perante eles. Ninguém pense que é coisa fácil ser homem, ser mulher, dentro da presente Ordem mundial neoliberal do Império. Não é. O que é fácil, mas também ignóbil, é regredirmos até nos tornarmos capacho de quem é autoritário e opressor. Mas também neste particular, o Sistema não tem podido nunca contar comigo. É por isso que o meu itinerário de vida foi e continua a ser tão atribulado. Mas é o itinerário de vida de um homem saudavelmente dissidente, activamente resistente, insubmisso, insubornável, solidário, irmão universal.
Não perca próxima conversa com padre Mário:
"O que aconteceu em Fátima a 13 de Maio de 1917?"
terça-feira, abril 01, 2008
Á conversa com padre Mário

O que sente alguém preso sem ter cometido qualquer crime? Há arrependimento? Nalgum momento se pensa "eu sei que tenho razão mas se estivesse calado e quieto evitava estar aqui"?
No meu caso, senti-me sempre fortemente injustiçado pelo facto de estar preso. E das duas vezes que me levaram para a Cadeia política, comecei sempre por protestar por escrito, através de exposições que fazia chegar ao respectivo director. Bem sabia que, na prática, esses meus protestos escritos de nada valiam, mas o gesto, só por si, consubstanciava a inequívoca afirmação da minha própria dignidade perante o Regime bruto e cruel que prendia pessoas inocentes, só porque elas lhe eram politicamente incómodas. Mas, depois, uma vez metido à força na prisão política, nunca senti qualquer arrependimento pelas posições anteriormente tomadas. Pelo contrário, ao ver-me injustamente na prisão, dei-me conta cada vez mais da perversidade e da crueldade do Regime que me havia prendido. Era, por isso, um Regime a denunciar sem cessar, desmascarar e combater cada vez com mais audácia e determinação. Em nome da Humanidade e da dignidade das pessoas. Recordo-me, a este propósito, que quando, depois da minha primeira prisão política em Caxias, regressei à paróquia, em lugar de me comportar com mais cautelas que anteriormente, acirrei ainda mais o combate pela libertação das pessoas e dos povos contra o Regime. Afinal, o Regime havia transformado o país numa prisão. Por isso, não tinha que ser respeitado, mas simplesmente desmascarado, até ser abolido. E foi o que passei a fazer com redobrada determinação, depois da primeira prisão política que sofri. Tenho consciência que não há dignidade humana sem liberdade. E sem luta pela liberdade, quando esta ainda não é o pão na vida de todas as pessoas e de todos os povos. No meu entender, o medo e a "prudência", perante regimes autoritários, para não se ser incomodado por eles, nunca são caminho para se ser homem, mulher com todas as letras. Por isso, não esperem que eu cultive essas "virtudes". Prefiro sempre a via da dissidência, como caminho para a verdadeira paz.
domingo, março 30, 2008
A mentira de Fátima. Por padre Mário

O santuário de Fátima celebrou ontem um protocolo de cooperação com a GNR, na presença do secretário de Estado do Ministério da Segurança Interna, para a instalação de câmaras de videovigilância em todo o recinto, com destaque para as imediações das duas basílicas e da chamada Capelinha das aparições. A decisão não pode ser mais reveladora da Mentira e do Crime que Fátima e a sua senhora são. E ainda vão lá as populações inseguras pedir segurança para si e para os seus, e as populações sem presente vão pedir presente e futuro para si e para os seus. Ponham aqui os olhos. Vejam que nem eles, os donos de Fátima, acreditam que a senhora/deusa preste para alguma coisa, a não ser como fábrica de fazer dinheiro, muito dinheiro, e alienação, muita alienação. As câmaras de videovigilância destinam-se sobretudo a impedir que o dinheiro e o ouro das "ofertas" dos "devotos" vá parar a outras mãos, que não às dos clérigos que são os donos e os administradores dos cofres, estrategicamente espalhados pelo recinto, e cujas bocas estão sempre bem abertas e prontas para as receber/sugar e levar directamente para o Tesouro do santuário, cada vez mais gordo! Olhem que eles não fazem como vocês os ingénuos "devotos", não pedem à senhora que defenda e defenda as ofertas. Não confiam nela. Apenas nas câmaras de videovigilância e nos homens e nas mulheres da GNR! Abram-me esses olhos, populações do meu país. E do resto do mundo. Basta de Obscurantismo. E vós, meus irmãos Bispos, que assistis a tudo isto, ou tendes a audácia de desmascarar toda esta Mentira e todo este Crime, ou incorreis num Crime ainda maior e sem perdão. E, em tal caso, melhor fora que não tivésseis nascido. Pelo menos, como Bispos da Igreja.
Padre Mário
quarta-feira, março 26, 2008
Nova rubrica "À conversa com padre Mário"
Foi perseguido, preso, exonerado, tratado como uma espécie de "anticristo" em ponto pequeno. Tendo o perdão a importância que tem no cristianismo, já perdoou às pessoas responsáveis por tudo isto?Posso ter inimigos, mas não sou inimigo de ninguém. Acho também que nunca tive que perdoar a ninguém, pela simples razão de que nunca cheguei a ficar contra ninguém. Ao longo dos anos, fizeram-me tudo isso que diz a pergunta e muito mais, mas eu nunca fiquei contra as pessoas que assim agiram comigo. Sempre continuei a tratá-las como pessoas, a respeitá-las e a amá-las. Ao mal que me fazem, procuro responder sempre com o bem. Recordo-me, a este propósito, que, depois do 25 de Abril de 74, fui chamado a depor no Tribunal de Extinção da Pide/DGS, onde estava a ser julgado o homem que o Tribunal tinha como o principal responsável pelas minhas duas prisões políticas em Caxias. O colectivo de Juízes fez questão de ouvir o meu depoimento, para, com base nele, poder condená-lo. Pois bem, eu cheguei ao Tribunal, olhei fraternalmente para o senhor Julinho (era assim que o povo da freguesia de Macieira da Lixa o tratava) e pedi de imediato a sua absolvição. Aos meus olhos, o que ele havia feito tinha sido por arrastamento de outros muito mais poderosos e influentes, que habilmente se tinham servido dele contra mim e ficaram sempre na sombra. O colectivo de Juízes ficou manifestamente perplexo com as minhas palavras, para não dizer, em estado de choque, mas teve que mandar em paz o acusado. Devo dizer, igualmente, que os meus braços de homem padre estão sempre abertos para abraçar todas as pessoas, inclusive, aquelas que me tenham feito mal, ou ainda venham a fazer. Acontece, porém, que, muitas vezes, as pessoas que me fazem mal não conseguem depois aceitar o abraço que lhes quero dar. Continuam a detestar-me. Prefeririam, se calhar, que eu as odiasse também a elas. Creio que até me detestam ainda mais por eu, ao ódio delas, responder com respeito e amor. Mas é assim que sou. Sem ter que fazer um esforço por aí além. Sou assim por natureza e também pela graça a que procuro estar permanentemente aberto. Acho que é assim que todos nós, mulheres e homens, haveremos de ser, se quisermos ser verdadeiramente humanos. Ao mal que nos façam, havemos de responder só com o bem. O nosso mundo será então de muito mais paz.

