
Nunca fui admirador dos “piercings” e até sempre me fez alguma confusão andar a furar a língua, a cara e sei lá que mais. Pretende-se agora proibir a sua colocação em alguns locais do corpo (língua por exemplo) a toda a gente e em qualquer local do corpo, bem como o fazerem tatuagens, a menores de 18 anos (mesmo com autorização dos pais). O argumento, uma vez mais, é a saúde pública. Não sei qual a quantidade de casos e de problemas que a colocação de piercings tem criado, mas temo que uma vez mais estejamos diante de um abusivo ataque à liberdade individual. Isoladamente não passaria daquilo que é, mas se lhe juntarmos as actividades da ASAE no cumprimento de uma série de leis perfeitamente ridículas e despropositadas, a paranóia que tem sido feita com a lei do tabaco, tudo legislado em nome da nossa saúde, retirando-nos o direito de gerirmos as nossas vidas como muito bem o desejarmos, tudo nos transporta para um mundo onde nem de nós próprios seremos donos. Eu gosto de comer um queijo caseiro, um bolo feito no café onde não há casa de banho para empregados, e de temperar a minha comida com azeite que não venha em horríveis pacotes impossíveis de utilizar sem ficar com as mãos ensopadas em gordura. Gosto de fumar o meu cigarro e não ser olhado como um criminoso, mesmo que o esteja a fazer num local em que o meu fumo não prejudique ninguém. Gosto de sentir que sou senhor de mim mesmo, que posso escolher e não de ser tratado como um irresponsável a quem o estado tem de proibir que faça mal a si próprio.
Quantas pessoas morrem anualmente com problemas de alcoolismo? Proíba-se então a venda de álcool. Quantas pessoas morrem em desastre de viação? Proíbam-se os carros e já agora também os comboios que podem descarrilar, os aviões que podem cair ou os barcos que afundam. E toda aquela gente que anualmente morre em acidentes de trabalho, proíba-se. E os afogados? Vedem-se as praias. E os doentes que morrem em ambulâncias a caminho dos hospitais porque a urgência local foi fechada por um ministro qualquer, não deveria fazer com que se proibisse essa gente de chegar ao governo?
(kaos)