Muita da "loiça normal", usada em Casegas vinha dos oleiros do Telhado. Contudo, outros centros de produção forneciam as famílias de Casegas. Hoje vou apresentar loiça de Miranda do Corvo, que era trazida pelos almocreves que percorriam a estrada do Sal, ou então era trazida pelos peregrinos que iam à festa da Senhora das Preces.
A loiça de Miranda do Corvo era muito boa para assar coisas no forno. era resistente aos choques térmicos e quando era brunida como é o caso desta assadeira era muito decorativa. Esta cor natural preta, não lhe é dada pela cor do barro, que é vermelho, mas por uma operação que se faz durante o processo de cozedura da loiça. O nome técnico dessa operação é "Redução" e consiste em reduzir bruscamente a temperatura dentro do forno onde estão as peças a cozer. Para efectuar esta operação havia várias técnicas mas a mais usada é introduzir ramas verdes dentro do forno. Como a introdução de matérias verdes e a própria abertura do forno, provocam um abaixamento da temperatura das peças, estas, que estão ao rubro, chupam o ar que existe dentro do forno que é constituído pelo fumo negro libertado pelas ramas verdes em combustão.
As peças ficam então com esta cor negra característica. As peças brunidas ficam por vezes com uns brilhos metálicos. Se estas peças voltassem ao forno do oleiro e fossem cozidas de novo, voltariam a ser vermelhas, devido à combustão do carbono que se havia infiltrado na operação anterior. O choque térmico provocado pela "Redução", capacita estas peças para resistirem bem ao forno
Legenda: Fig.1 Assadeira, fig.2 e 3 Assadeira de chanfana
No primeiro caso serviam as mais pequenas para coelhos e as maiores para cabritos.
No segundo caso, servia para assar cabra velha no forno do pão. A típica chanfana.
No primeiro caso serviam as mais pequenas para coelhos e as maiores para cabritos.
No segundo caso, servia para assar cabra velha no forno do pão. A típica chanfana.












