domingo, fevereiro 18, 2007

AS DESIGUALDADES REGIONAIS CONTINUAM A SER MUITO GRANDES EM PORTUGAL

RESUMO DESTE ESTUDO

As graves assimetrias regionais existentes em Portugal geram desigualdades entre os portugueses e são um obstáculo importante ao desenvolvimento . Entre 2000 e 2005, o PIB, ou seja, a riqueza produzida, a preços correntes, aumentou, a nível do País 22%, enquanto na Região Norte cresceu apenas 18,7%; na Região do Centro 21,8%; na Região de Lisboa 22,7%; na Região do Alentejo, 21,8%; e nas regiões do Algarve, Açores e Madeira, apesar de terem registado maiores crescimentos (entre 31,5% e 34,1%), no entanto o PIB destas três regiões aumentou apenas de 8,4% para 9% do PIB nacional. Como consequência as graves assimetrias regionais existentes mantiveram-se, e a riqueza produzida na Região de Lisboa que, em 2000, já representava 36,8% do PIB nacional, em 2005 até aumentou para 37%.

Em 2005, a Região de Lisboa apesar de ter produzido 37% da riqueza nacional deu apenas emprego a 26,9% da população empregada, enquanto a Região Norte produziu apenas 28% da riqueza nacional mas deu emprego a 34,4% da população. No período compreendido entre 2000 e 2005, as regiões que criaram mais emprego foram, por ordem decrescente, Algarve (+ 15,9%); RA Açores (+6,7%); Alentejo (+4,8%); RA Madeira (+3,6%); e Lisboa (+2,5); nas regiões Norte (-0,3%) e Centro (-0,6%) registou-se uma redução do emprego.

O desemprego tem aumentado de uma forma desigual a nível do País. Entre 2000 e 2007, o desemprego aumentou 118,4% a nível do País, mas na Região Norte subiu 144,7%; na do Centro 174,6%; na de Lisboa 77,6% na do Alentejo 73,9%; na do Algarve 123,1%; na dos Açores 75%; e na da Madeira 200%, o que contribuiu para o agravamento das desigualdades regionais já que crescimentos muito diferentes determinam e reflectem agravamento sociais diferentes

Uma parte já muito significativa da população portuguesa é constituída por pensionistas. E a pensão média é muito baixa em Portugal, o que determina uma vida difícil para milhões de portugueses. No entanto, os valores por distrito são muito desiguais o que contribui para o agravamento das desigualdades regionais. Em 2007, a pensão média mensal de velhice a nível do País era apenas de 359 €, mas no distrito de Lisboa era de 463 €, no distrito de Braga de 316 €, no distrito de Évora de 315€, e no de Vila Real somente de 264 €. A mesma desigualdade se verificava em relação às remunerações declaradas à Segurança Social. A remuneração média mensal declarada à Segurança Social em 2007, foi a nível do País, de 785 €, mas no distrito de Lisboa foi de 1.027 €; no distrito de Évora de 682€; no de Braga de 604€ e no distrito de Vila Real apenas 590 €. Estes dados tornam visível a existência de desigualdades nas pensões e salariais regionais muito grandes.

Se se fizer uma análise ainda mais fina por sub-regiões utilizando o “Indicador per capita do Poder de Compra Concelhio” do INE, que compara o poder de compra de um habitante de cada região, sub-região ou concelho com o poder de compra médio do País por habitante, as desigualdade ainda são maiores. Assim, em 2005, de acordo com o “Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio do INE, o poder de compra de um habitante da Península de Setúbal era inferior ao da Grande Lisboa em -20,5%; o do Baixo Mondego em -29%; o do Médio Tejo em -42,7%; o da Cova da Beira em -46,8%; o do Vale do Ave em -48,8%; o do Pinhal Interior em -60,7%; e o do Corvo, uma ilha da RA dos Açores, o poder de compra era inferior ao de um habitante da Grande Lisboa em -65,8%.

Os sucessivos governos e, em particular o de Sócrates, têm-se caracterizado por uma ausência total de uma politica regional visando combater as graves assimetrias a nível do País. A provar isso, está o PIDDAC, que é o plano de investimentos mais importante do Estado. Entre 2002 e 2008, o investimento público realizado pelo governo através do PIDDAC reduz-se em -45,5% a nível do País. No entanto, a diminuição atinge - 77,7% no distrito de Aveiro, -82,6% no de Braga, -63,9% no de Bragança; -75,7% no de Santarém; -74,2% no de Setúbal; -76,4% no de Viana do Castelo; -67,4% no de Viseu; etc.. É evidente que uma redução tão drástica e tão desigual do investimento público, afectando muitos distritos do interior, determinará o aumento das desigualdades regionais

O Instituto Nacional de Estatística acabou de divulgar as Contas Regionais definitivas relativas aos anos 2000-2005. E de acordo com essas contas e também segundo dados constantes quer das Estatísticas do Emprego do INE quer das Estatísticas da Segurança Social, que utilizamos neste estudo, as assimetrias regionais continuam a ser muito grandes em Portugal. E isto apesar de constituírem um obstáculo importante ao desenvolvimento do País.

A REGIÃO DE LISBOA PRODUZIU 37% DA RIQUEZA NACIONAL E DEU APENAS 26,9% DO EMPREGO

No período compreendido entre 2000 e 2005, a concentração da riqueza na região de Lisboa não diminuiu; pelo contrário, até aumentou, como revelam os dados do quadro seguinte.

QUADRO I – Variação do PIB por regiões a preços correntes entre 2000 e 2005

REGIÕES

2000

2001

2002

2003

2004

2005

VARIAÇÃO %

% de PORTUGAL

PIB - Milhões e euros

2005-2000

2000

2005

PORTUGAL

122 270

129 308

135 434

138 582

144 128

149 123

22,0%

100,0%

100,0%

Norte

35 226

37 609

38 836

39 061

40 421

41 804

18,7%

28,8%

28,0%

Centro

23 337

24 709

25 674

26 635

27 717

28 417

21,8%

19,1%

19,1%

Lisboa

44 935

47 279

49 676

50 894

53 208

55 140

22,7%

36,8%

37,0%

Alentejo

8 244

8 541

9 000

9 384

9 722

10 045

21,8%

6,7%

6,7%

Algarve

4 693

5 104

5 417

5 669

5 852

6 169

31,5%

3,8%

4,1%

R A Açores

2 274

2 488

2 666

2 785

2 887

3 018

32,7%

1,9%

2,0%

RA Madeira

3 242

3 227

3 884

3 884

4 156

4 348

34,1%

2,7%

2,9%

FONTE: Contas Regionais : 2000-2005 – INE

Entre 2000 e 2005, o PIB a preços correntes, isto é, sem deduzir o efeito de preços, aumentou, a nível do País 22%, enquanto na Região Norte cresceu apenas 18,7%; na Região do Centro 21,8%; na Região de Lisboa, 22,7%; na Região do Alentejo, 21,8%; e nas regiões do Algarve, Açores e Madeira, apesar de terem registado maiores crescimentos (entre 31,5% e 34,1%), no entanto, em conjunto verificou-se um aumento do seu PIB de apenas 0,6 pontos percentuais (passou de 8,4% para 9% do PIB nacional). Como consequência, a riqueza produzida na Região de Lisboa que, em 2000, já representava 36,8% do PIB nacional, em 2005 até aumentou para 37%. E isto apesar da Região de Lisboa criar menos emprego do que a Região do Norte, como mostra o quadro seguinte QUADRO II – Variação do emprego por regiões entre 2000 e 2005

REGIÕES

2000

2001

2002

2003

2004

2005

VARIAÇÃO %

% de PORTUGAL

EMPREGO – Milhares

2005-2000

2000

2005

PORTUGAL

5030,0

5121,3

5151,2

5120,7

5116,7

5099,9

1,4%

100,0%

100,0%

Norte

1757,7

1794,9

1781,3

1762,5

1761,4

1752,3

-0,3%

34,9%

34,4%

Centro

1228,4

1242,8

1242,1

1245,1

1233,3

1221,5

-0,6%

24,4%

24,0%

Lisboa

1335,6

1360,0

1390,0

1365,2

1366,3

1369,5

2,5%

26,6%

26,9%

Alentejo

302,9

309,5

316,2

317,9

316,8

317,5

4,8%

6,0%

6,2%

Algarve

179,1

187,8

193,9

202,0

206,8

207,6

15,9%

3,6%

4,1%

R A Açores

97,7

98,3

100,7

100,8

103,2

104,2

6,7%

1,9%

2,0%

RA Madeira

118,0

116,5

117,9

119,1

124,0

122,2

3,6%

2,3%

2,4%

FONTE: Contas Regionais : 2000-2005 – INE

Em 2005, a Região de Lisboa produziu 37% da riqueza nacional mas deu emprego apenas a 26,9% da população, enquanto a Região Norte produziu 28% da riqueza nacional e deu 34,4% do emprego. No período 2000-2005, as regiões que criaram mais emprego foram, por ordem decrescente, Algarve (+ 15,9%); RA Açores (+6,7%); Alentejo (+4,8%); RA Madeira (+3,6%); e Lisboa (+2,5); nas regiões Norte (-0,3%) e Centro (-0,6%) registou-se uma redução do emprego.

EM 2005, A DESPESA COM INVESTIMENTO POR EMPREGO MAIS ELEVADA FOI NA REGIÃO DOS AÇORES E A MAIS BAIXA FOI NA REGIÃO DO NORTE

A produtividade (PIB por empregado), a riqueza “per-capita” (PIB por habitante) e a despesa de investimento por emprego (FBCF por empregado) são muito diferentes entre as diferentes regiões do País como revelam os dados do quadro seguinte.

QUADRO III - Produtividade, riqueza “per-capita” e despesa de investimento por emprego nas diferentes regiões do País em 2005

REGIÕES

PIB por empregado

PIB por habitante

FBCF (Investimento) por empregado

% em relação ao valor da Região de Lisboa

2005 - Euros

2005 - Euros

2005- Euros

PIB/Empregado

PIB/Hab.

FBCF/Empregado

Norte

23.857

11.200

5 160

59,3%

56,3%

72,6%

Centro

23.264

11.942

5 804

57,8%

60,0%

81,7%

Lisboa

40.263

19.907

7 106

100,0%

100,0%

100,0%

Alentejo

31.638

13.100

8 872

78,6%

65,8%

124,9%

Algarve

29.716

14.894

7 909

73,8%

74,8%

111,3%

R A Açores

28.964

12.487

12 380

71,9%

62,7%

174,2%

RA Madeira

35.581

17.769

12 111

88,4%

89,3%

170,4%

FONTE: Contas Regionais : 2000-2005 – INE

Em 2005, a produtividade na Região do Norte correspondia apenas a 59,3% da produtividade da Região de Lisboa; a do Centro a 57,8%; a do Alentejo a 78,6%; a do Algarve a 73,8&%; a dos Açores a 71,9%; a da Madeira a 88,4% da produtividade da Região de Lisboa. Em relação à riqueza produzida por habitante em 2005, a da Região do Norte correspondia apenas a 56,3% da de Lisboa; a do Centro a 60%; a do Alentejo a 65,8%; a do Algarve a 74,8%; a dos Açores a 62,7%, e a da Madeira a 89,3%. Apesar disso, a despesa de investimento por emprego era em várias regiões do País superior à da Região de Lisboa, Assim, em 2005, a despesa de investimento por empregado na Região Norte correspondia apenas a 72,6% da despesa de investimento por emprego da Região de Lisboa; a da Região do Centro correspondia a 81,7%; mas a das outras regiões, apesar de terem produtividade e riqueza criada por habitante inferiores à da Região de Lisboa, apresentavam despesa de investimento por emprego superiores à da Região de Lisboa. Assim, a despesa da região do Alentejo era superior à da Região de Lisboa em 24,9%; a do Algarve em 11,3%; a dos Açores em 74,2%; e a da Madeira em 70,4%. As regiões do Norte e do Centro são claramente sacrificadas em termos de investimento quando as comparamos com a Região de Lisboa, sendo o investimento nas restantes regiões do País superior ao da região de Lisboa, mas não tendo o retorno em termos de aumento de produtividade e de crescimento de riqueza para as respectivas populações que seria de esperar, o que pode ser uma consequência da deficiente qualidade desse investimento, o que agrava ainda mais as desigualdades regionais.

O DESEMPREGO TEM AUMENTADO MAIS NAS REGIÕES DA MADEIRA, DO CENTRO E DO NORTE

O desemprego tem aumentado de uma forma desigual nas diferentes regiões do País, como revelam os dados do INE constantes do quadro seguinte.

QUADRO IV – Variação do desemprego por regiões entre 2000 e 2007

REGIÃO

2000

2006

2007

VARIAÇÃO %

Mil

Mil

Mil

2007-2000

2007-2006

PORTUGAL

205,4

427,9

448,5

118,4%

4,8%

Norte

76,0

175,8

186,0

144,7%

5,8%

Centro

27,9

74,5

76,6

174,6%

2,8%

Lisboa

71,4

119,9

126,8

77,6%

5,8%

Alentejo

18,0

34,9

31,3

73,9%

-10,3%

Algarve

6,5

11,8

14,5

123,1%

22,9%

RA Açores

2,8

4,3

4,9

75,0%

14,0%

RA Madeira

2,8

6,7

8,4

200,0%

25,4%

FONTE: Estatísticas do Emprego - 4º Trimestre de 2007 – INE

Entre 2000 e 2007, o desemprego aumentou 118,4% a nível do País, mas na Região Norte subiu 144,7%; na do Centro 174,6%; na de Lisboa 77,6% na do Alentejo 73,9%; na do Algarve 123,1%; na dos Açores 75%; e na da Madeira 200%, o que contribui para o aumento das desigualdades regionais já que crescimentos muito diferentes determinam agravamento diferente das respectivas situações sociais.

AS PENSÕES E AS REMUNERAÇÕES DECLARADAS PARA A SEGURANÇA SOCIAL VARIAM

MUITO DE DISTRITO PARA DISTRITO

Uma parte importante da população portuguesa são pensionistas. E o valor da pensão média de velhice é muito baixo. No entanto, existem distritos onde os valores são ainda mais baixos que a média nacional, como revelam os dados do quadro, o que reflecte as grandes desigualdades regionais. O mesmo se verifica a nível de remunerações declaradas à Segurança Social.

QUADRO V – Pensões médias mensais de velhice e remunerações médias mensais declaradas

à Segurança Social por distritos – 1º semestre de 2007

DISTRITOS

VELHICE

TRABALHADORES CONTA OUTRÉM (TCO)

Reformados

Pensão Média -

Total

Remuneração declarada -Euros

Aveiro

114.472

338

233.052

693

Beja

37.459

289

38.238

647

Braga

114.227

316

270.215

604

Bragança

32.116

254

23.585

611

C. Branco

48.322

281

49.324

638

Coimbra

79.905

315

116.569

768

Evora

38.429

315

47.774

682

Faro

65.937

313

150.278

654

Guarda

38.968

267

36.776

622

Leiria

82.887

315

144.566

709

Lisboa

354.416

463

721.334

1.027

Portalegre

31.052

296

30.423

644

Porto

245.272

390

571.197

742

Santarém

89.177

323

134.681

713

Setúbal

128.682

419

259.478

901

V. Castelo

44.692

276

61.466

610

Vila Real

41.059

264

42.030

590

Viseu

72.074

275

93.270

621

TOTAL

1.659.146

359

3.024.256

785

FONTE: Estatísticas da Segurança Social - Dezembro 2007 - Instituto Informática –MTSS

Em 2007, a pensão média mensal de velhice paga no País era apenas de 359 euros, e a remuneração média mensal declarada à Segurança Social de 785 euros. No entanto, verificam-se grandes desigualdades entre os diferentes distritos. Assim, a pensão média paga no distrito de Lisboa era de 463 euros, enquanto a paga no distrito de Vila Real atingia somente 264 euros. Por outro lado, a remuneração média mensal declarada foi de 1.027 euros no distrito de Lisboa, enquanto a do distrito de Vila Real atingiu apenas 590 euros.

O ESTADO INVESTE DE UMA FORMA MUITO DESIGUAL NOS DIFERENTES DISTRITOS DO PAÍS

O principal Plano de Investimento do Estado é o PIDDAC . E como mostram os dados do quadro seguinte o Estado tem investido de uma forma extremamente desigual entre os diferentes distritos do País, o que tem contribuído para agravar as assimetrias regionais.

QUADRO VI – PIDDAC por distritos – 2002/2008

DISTRITOS

PIDDAC- Mil Euros

Variação 2008-2002

ESTRUTURA

2002

2005

2008

% do TOTAL

Mil €

Mil €

Mil €

2002

2005

2008

Total PIDDAC

6.638.990

6.724.022

3.616.091

-45,5%

100%

100%

100%

Aveiro

285.230

254.789

63.581

-77,7%

4%

4%

2%

Beja

186.323

134.692

92.997

-50,1%

3%

2%

3%

Braga

358.267

182.649

62.285

-82,6%

5%

3%

2%

Bragança

125.063

94.711

45.135

-63,9%

2%

1%

1%

Castelo Branco

148.273

124.805

62.132

-58,1%

2%

2%

2%

Coimbra

218.163

231.777

140.458

-35,6%

3%

3%

4%

Évora

135.804

151.891

71.700

-47,2%

2%

2%

2%

Faro

333.702

262.268

95.225

-71,5%

5%

4%

3%

Guarda

98.997

103.284

57.891

-41,5%

1%

2%

2%

Leiria

150.698

120.171

52.072

-65,4%

2%

2%

1%

Lisboa

1.233.398

1.169.517

480.171

-61,1%

19%

17%

13%

Portalegre

92.316

85.973

45.328

-50,9%

1%

1%

1%

Porto

1.022.414

1.202.379

282.527

-72,4%

15%

18%

8%

Santarém

199.240

233.431

48.429

-75,7%

3%

3%

1%

Setúbal

363.909

219.963

93.866

-74,2%

5%

3%

3%

V. Castelo

118.734

54.771

27.989

-76,4%

2%

1%

1%

Vila Real

96.045

106.341

51.957

-45,9%

1%

2%

1%

Viseu

167.546

125.731

54.653

-67,4%

3%

2%

2%

Vários distritos

1.386.028

984.655

21%

27%

FONTE ; Relatórios do OE de 2002, 2005 e 2008

Embora o Plano de Investimento da Administração Central – PIDDAC –não inclua a totalidade dos investimentos do Estado, no entanto ele é o Plano mais importante dos investimentos realizados pelo Estado, sendo um indicador importante da actividade realizada pelo Estado neste campo assim como das prioridades definidas pelo Governo. Entre 2002 e 2008, o investimento realizado pelo governo através do PIDDAC reduz-se em -45,5% a nível do País. No entanto, a diminuição atinge - 77,7% no distrito de Aveiro; -82,6% no de Braga; -63,9% no de Bragança; -75,7% no de Santarém; -74,2% no de Setúbal; -76,4% no de Viana do Castelo; -67,4%no de Viseu. É evidente que redução tão drástica e tão desigual do investimento público contribuirá para agravar ainda mais as desigualdades regionais.


Eugénio Rosa – Economista

AdC branqueia aproveitamento da especulação pelas petrolíferas

O QUE A AUTORIDADE DA CONCORRÊNCIA DEVIA TER FEITO MAS NÃO FEZ, SENDO ASSIM CONIVENTE COM LUCROS QUE RESULTAM DA ESPECULAÇÃO NO MERCADO

RESUMO DESTE ESTUDO

A Autoridade da Concorrência (AdC) acabou de apresentar o seu relatório sobre a formação dos preços dos combustíveis em Portugal. O cálculo dos preço dos combustível à saída da refinaria por parte das petrolíferas ( o chamado “pricing”) não se faz adicionando os custos suportados pela produção do combustível, que inclui o preço da matéria prima, que é o petróleo, e todos os custos de refinação, somando depois uma margem de lucro. As petrolíferas para estabelecerem os preços à saída da refinaria, recolhem os preços dos combustíveis no mercado de Roterdão, e depois os preços de venda dos combustíveis de cada dia aos distribuidores, à saída da refinaria, são os preços correspondentes aos do mesmo dia da semana anterior verificado naquele mercado do norte da Europa, a que deduzem apenas o chamado desconto de quantidade, que até beneficia mais a própria GALP, pois é ela que detém a maior quota a nível de distribuição (a GALP distribuição).

O que a Autoridade de Concorrência devis ter feito, mas não fez, era analisar se a adopção deste tipo de formação de preços se justificava, e se não estaria a determinar lucros especulativos para as petrolíferas à custa dos portugueses? O que a Autoridade da Concorrência devia ter feito, mas não fez, era analisar porque razão o petróleo utilizado apesar de ter sido o adquirido 2,5 meses antes, portanto a preços mais baixos, no entanto na formação dos preços à saída da refinaria ele é considerado como tivesse sido adquirido na semana anterior? O que a Autoridade da Concorrência devia ter feito, mas não fez, era analisar porque razão os lucros da GALP só determinados pelo chamado “efeito sotck”, ou seja, pela razão referida no ponto anterior, tenham aumentado, entre o 1º Trimestre de 2007 e o 1º Trimestre de 2008, em 228,6%, pois passarem de 21 milhões de euros para 69 milhões de euros? O que a Autoridade da Concorrência devia ter feito, mas não fez, era analisar porque razão a GALP passou a estabelecer os preços dos combustíveis com base nos preços de Roterdão da semana anterior, quando antes estabelecia com base nos preços de Roterdão do mês anterior, tendo passado depois para quinzenalmente, e agora semanalmente, e é de prever que, com a cobertura deste relatório, se prepare para ser diariamente o que, a concretizar-se, inflacionaria ainda mais os seus lucros com base na especulação à custa dos portugueses?

Na produção dos combustíveis nas suas refinarias, a GALP utiliza petróleo adquirido, em média, 2,5 meses antes, portanto a preços mais baixos, o que permite que obtenha elevados lucros extraordinários. Em Portugal, entre Dezembro de 2007 e Maio de 2008, de acordo com a Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, o preço da gasolina 95 aumentou 9,6%; do gasóleo 19,9%, do gasóleo colorido 29,6% ; e do gasóleo de aquecimento 30,3%. Como o petróleo utilizado na produção dos combustíveis vendidos em Maio de 2008 foi o adquirido em Março de 2008, isto significa que o preço do petróleo utilizado aumentou apenas 6,9% em euros, pois foi esta a subida verificada entre Dezembro de 2007 e Março de 2008. É esta disparidade que permite às petrolíferas embolsarem elevados lucros à custa dos portugueses, que a Autoridade da Concorrência devia ter analisado, mas não o fez.

Em Maio de 2008, os preços dos combustíveis em Portugal eram superiores aos preços médios da UE15, que é constituída pelos países mais desenvolvidos da União Europeia, em cerca de 2% (Gasolina95: +2,4%; gasóleo: +2%; Todos os combustíveis : +2,2%). Por outras palavras , Portugal é o país menos desenvolvido deste grupo de 15 países, com remunerações e rendimentos mais baixos, no entanto os preços a que são vendidos os combustíveis em Portugal são superiores aos preços médios da UE15. É estranho que a Autoridade da Concorrência não tenha encontrado nada de anormal neste disparidade de preços sem impostos, e afirme que “entende não existirem também indícios de uma prática de preços excessivos” (pág. 78 do Relatório da AdC). Tudo isto é estranho, muito estranho mesmo, e carece de uma explicação muito clara. O governo ao aprovar este Relatório da AdC está também a ser conivente com toda esta situação.

A Autoridade da Concorrência (AdC) acabou de apresentar o seu relatório sobre a formação dos preços dos combustíveis em Portugal. E como tínhamos previsto em estudo anterior, o relatório acaba por branquear as petrolíferas, e o aproveitamento que estão a fazer da especulação no mercado internacional do petróleo e dos refinados para inflacionarem os seus lucros à custa dos consumidores portugueses. E isto porque o relatório não analisa a principal causa do aumento dos preços dos combustíveis, que é a formação dos preços até à saída das refinarias, e não após os combustíveis terem saído destas, como a AdC e o governo pretendem fazer crer.

Como explicamos em estudo anterior, o cálculo dos preços dos combustíveis à saída das refinarias por parte das petrolíferas ( o chamado “pricing”) não se faz adicionando os custos suportados pela produção do combustível, que inclui o preço da matéria prima, que é o petróleo, e todos os custos de refinação, somando depois uma margem de lucro. As petrolíferas para estabelecerem os preços à saída da refinaria, recolhem os preços dos combustíveis no mercado de Roterdão, e depois os preços de venda dos combustíveis de cada dia aos distribuidores, à saída da refinaria, são os preços correspondentes aos do mesmo dia da semana anterior verificado naquele mercado do norte da Europa, a que deduzem apenas o chamado desconto de quantidade, que até beneficia mais a própria GALP, pois é ela que detém a maior quota a nível de distribuição (a GALP distribuição).

Os preços da semana anterior do mercado de Roterdão, que servem à GALP para estabelecer os preços dos combustíveis à saída da refinaria, incluem uma dupla especulação: a que está sujeita o preço do barril de petróleo, e a que estão sujeitos os preços dos produtos refinados (os combustíveis). Era precisamente o fundamento da adopção deste tipo de formação de preços por parte da GALP que devia ter sido analisado pela Autoridade da Concorrência.

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O QUE A AUTORIDADE DA CONCORRÊNCIA DEVIA TER FEITO MAS NÃO FEZ

Na pág. 77 do seu relatório, no capitulo com o titulo “Conclusões e Recomendações” a Autoridade da Concorrência afirma: “No que respeita ao PVP (Preço de Venda ao Público) antes de impostos, os preços nacionais à saída da refinaria reflectem a evolução dos preços CIF do mercado de Roterdão (plataforma Plats NWE)”, E acrescenta logo a seguir: “não é possível concluir que os aumentos dos PVP (Preços de Venda ao Público) antes de impostos dos combustíveis líquidos observados desde o inicio do ano corrente, tenham uma origem nacional”.

No entanto, o que a Autoridade de Concorrência devia ter feito, mas não fez, era analisar se a adopção deste tipo de formação de preços se justificava, e se não estaria a determinar lucros exagerados para as petrolíferas à custa dos consumidores portugueses? O que a Autoridade da Concorrência devia ter feito, mas não fez, era analisar porque razão o petróleo utilizado ter sido o adquirido 2,5 meses antes, portanto a preços mais baixos, no entanto na formação dos preços à saída da refinaria ele é considerado como tivesse sido adquirido na semana anterior? O que a Autoridade da Concorrência devia ter feito, mas não fez, era analisar porque razão os lucros da GALP só determinados pelo chamado “efeito sotck”, ou seja, pela razão referida no ponto anterior, tenham aumentado, entre o 1º Trimestre de 2007 e o 1º Trimestre de 2008, em 228,6%, pois passarem de 21 milhões de euros para 69 milhões de euros? O que a Autoridade da Concorrência devia ter feito, mas não fez, era analisar porque razão a GALP passou a estabelecer os preços dos combustíveis com base nos preços de Roterdão da semana anterior, quando antes estabelecia com base nos preços de Roterdão do mês anterior, tendo passado depois para quinzenalmente, e agora semanalmente, e é de prever que, com este relatório, pretenda passar a ser diariamente, o que inflacionaria ainda mais os seus lucros com base na especulação à custa dos portugueses? Ora tudo isto a Autoridade da Concorrência devia ter feito, mas não fez, e o governo a aprovar o relatório da Autoridade da Concorrência, está a ser conivente com ela na defesa dos interesses e dos lucros das petrolíferas à custa dos portugueses.

O PETRÓLEO UTILIZADO NA PRODUÇÃO DOS COMBUSTIVEIS É ADQUIRIDO PELA GALP, EM MÉDIA, 2,5 MESES ANTES, PORTANTO A PREÇOS MAIS BAIXOS

Na produção dos combustíveis nas suas refinarias, a GALP utiliza petróleo adquirido, em média, 2,5 meses antes, portanto a preços mais baixos, o que permite à GALP embolsar elevados lucros extraordinários que, como mostramos, no estudo anterior sobre os combustíveis, aumentaram, entre 1º Trimestre de 2007 e o 1º Trimestre de 2008, em 228,6% , pois passaram de 21 milhões de euros para 69 milhões de euros.

O quadro seguinte, construído com dados da Direcção Geral de Energia, mostra a diferença entre o aumento verificados nos preços dos combustíveis nos primeiros 5 meses de 2008, e a subida registada no preço do petróleo utilizado para produzir esses combustíveis.

QUADRO I –Aumento dos preços dos combustíveis em Portugal nos primeiros 5 meses de 2008 e subida do preço do petróleo utilizado na produção dos preços dos combustíveis

Dia/mês/ano

Gasolina s/ chumbo 95 Euros/litro

Gasóleo Rodoviário Euros/litro

Gasóleo colorido e Marcado Euros/litro

Gasóleo de aquecimento Euros/litro

MÊS/ANO

PETRÓLEO Euros barril

28.12.2007

1,358

1,179

0,782

0,831

Dez-07

62,46

25.01.2008

1,369

1,178

0,768

0,861

Jan-08

62,49

29.02.2008

1,401

1,223

0,831

0,916

Fev-08

64,45

28.03.2008

1,382

1,256

0,855

0,909

Mar-08

66,78

25.04.2008

1,416

1,290

0,895

0,957

Abr-08

69,23

30.05.2008

1,489

1,413

1,013

1,083

Mai-08

78,89

Maio08/Dez07

+9,6%

+19,9%

+29,6%

+30,3%

Mar08-Dez07

+ 6,9%

FONTE: Direcção Geral de Energia - Ministério da Economia

Em Portugal, entre Dezembro de 2007 e Maio de 2008, de acordo com a Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, o preço da gasolina 95 aumentou 9,6%; do gasóleo 19,9%; do gasóleo colorido 29,6% ; e do gasóleo de aquecimento 30,3%. Como petróleo utilizado na produção dos combustíveis vendidos em Maio de 2008 foi o adquirido em Março de 2008, isto significa que o preço do petróleo utilizado aumentou apenas 6,9% em euros, pois foi a subida verificada entre Dezembro de 2007 e Março de 2008. É esta disparidade que permite às petrolíferas embolsarem elevados lucros à custa dos portugueses, que a Autoridade da Concorrência devia ter analisado, mas não o fez.

EM MAIO DE 2007, OS PREÇOS DOS COMBUSTIVEIS SEM IMPOSTOS EM PORTUGAL ERAM SUPERIORES AOS PREÇOS MÉDIOS DA UNIÃO EUROPEIA

Como revela o quadro seguinte, construído com dados divulgados pela Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, os preços de venda de combustíveis em Portugal, em Maio de 2008, eram superiores aos preços médios da EU-15 países , ou seja, ao preço médio dos países mais desenvolvidos da União Europeia.

QUADRO II – Preços dos combustíveis sem impostos nos países da U.E. em Maio de 2008

PAÍS

Gasolia95

Gasóleo

Inclui todos os combustíveis

PE - Euros

PE- Euros

PE – Euros

Grécia

0,624

0,756

0,690

Espanha

0,605

0,722

0,663

Luxemburgo

0,623

0,738

0,681

Aústria

0,577

0,687

0,632

Irlanda

0,554

0,663

0,609

França

0,571

0,688

0,630

Suécia

0,524

0,679

0,602

PORTUGAL (PT)

0,603

0,721

0,662

Itália

0,629

0,753

0,691

Alemanha

0,557

0,673

0,615

Bélgica

0,605

0,729

0,667

Dinamarca

0,570

0,706

0,638

Finlândia

0,557

0,665

0,611

Reino Unido

0,554

0,663

0,609

Holanda

0,676

0,755

0,716

MÉDIA UE-15

0,589

0,707

0,648

% PT > UE15

2,4%

2,0%

2,2%

FONTE: Direcção Geral de Energia - Ministério da Economia

Em Maio de 2008, os preços dos combustíveis em Portugal eram superiores aos preços médios da UE15, que é constituída pelos países mais desenvolvidos da União Europeia, em cerca de 2% (Gasolina95: +2,4%; gasóleo: +2%; Todos os combustíveis : +2,2%). Por outras palavras , Portugal é o país menos desenvolvido deste grupo de 15 países, com remunerações e rendimentos mais baixos, no entanto os preços a que são vendidos os combustíveis em Portugal são superiores aos preços médios da UE15. É estranho que a Autoridade da Concorrência não tenha encontrado nada de anormal neste disparidade de preços sem impostos, e afirme que “entende não existirem também indícios de uma prática de preços excessivos” (pág. 78 do Relatório da AdC). Tudo isto é estranho, muito estranho mesmo, e carece de uma explicação muito clara. O governo ao aprovar este Relatório da AdC está também a ser conivente com toda esta situação.