terça-feira, janeiro 16, 2007
Morreu o Ti Horácio da Casa do Povo
Morreu o Ti Horácio da Casa do Povo
Morreu um Homem bom.
Há quinze dias foi o Zé Alves que abruptamente nos deixou. O amor à Terra trouxe-o de volta ao nosso convívio após longas décadas emigrado em França. Remexo nas minhas recordações de infância e recordo a alegria e mestria com que dirigia a “ junta de bois “ que lavravam as terras férteis do Favacal com bandos de “lavrandeiras” a banquetear-se de insectos e vermes que o arado ia revolvendo, ou puxavam pachorrentos mas enérgicos o carro que transportava as colheitas e que o chiar do eixo nos ajudava a localizar. Fervilhava então a minha Terra de gente e de vida que o chilrear dos pássaros musicavam. Deixou-nos também para sempre no primeiro dia do ano. Sentimos a tua falta.
Todos os anos a “Ponte” onde deixámos fluir os nossos mais íntimos e ambiciosos sonhos, mas que também liga a vida à morte é ponto de passagem para uma viagem sem regresso dos que para sempre nos vão deixando, e como Marguerite Yourcenar interrogo-me se “ ninguém ainda sabe que tudo apenas vive para morrer, ou se morre para renascer”.
Choro a morte do Ti Horácio com quem convivi nos últimos 30 anos.
Vivíamos então os primeiros anos da revolução de Abril e as ruas da minha Aldeia que se vinham então esvaziando num constante fluxo migratório, voltaram a animar-se com o regresso dos seus filhos que um dia viram interrompido o sonho Africano.
Com ele e outros, conheci a outra África que os manuais escolares não nos davam a conhecer e entendi a nostalgia que sentiam pela terra prometida.
Não resisto contar como foi a chegada do Horácio a Angola. No porto de Luanda aguardava-o o Nuno Vaz e no regresso à pensão após o desembarque avistaram uma moeda no chão que o Nuno mandou apanhar ao Horácio. Prontamente o Horácio responde-lhe: Então ainda agora cheguei e já queres que comece a trabalhar? Era certamente a moedinha da sorte, disse-mo um dia, pois jamais voltou a encontrar uma outra qualquer.
Prontamente ao chegar agarrou as oportunidades de trabalho que lhe surgiram e foi motorista de táxi e transporte público. Nas horas livres arroteou as terras de família já invadidas por giestas e urzes, donde retirava parte do sustento para a família. Reformou-se entretanto e perante a magreza da pensão arranjou trabalho no Bar da Casa do Povo e como condutor da carrinha do Centro Social. Na Casa do Povo soube merecer a amizade de gerações de jovens que choraram a sua morte tão prematura. Respeitou sempre as diferenças e foi acarinhado por isso. Norteou a vida pelos mais nobres valores, onde destaco a humildade e honestidade. A mesa , onde habilmente jogava cartas e dominó está agora amputada.
Que a tua alma descanse em paz Horácio. Os amigos jamais te esquecerão e deixo a minha homenagem e gratidão lembrando como disse Fernando Pessoa que “ morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada”
Casegas 16 de Janeiro de 2007
César Craveiro
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Comunicado e Agradecimento
Um abraço amigo e um muito obrigado da parte da CPC!
terça-feira, janeiro 09, 2007
11 de Fevereiro - Diga Sim à IVG
"O Grupo de cidadãos EM MOVIMENTO PELO SIM, Interrupção Voluntária da Gravidez – A Mulher decide, a Sociedade respeita, o Estado garante organiza na próxima sexta-feira, dia 12, pelas 21 horas, na Oriental de São Martinho, um debate com a presença de Natacha Amaro, membro de Direcção Nacional do MDM, inserida no programa de iniciativas promovidas pelo movimento.
EM MOVIMENTO PELO SIM é constituido por um conjunto de cidadãos, pelo Movimento de Utentes do Serviço Publico, pela CGTP e pelo MDM."

Porquê?
Porque:
- De um ponto de vista liberal, não se pode tolerar que o Estado imponha aos cidadãos um qualquer ponto de vista moral. Os cidadãos devem ser livres de agir de acordo com as suas consciências, enquanto a sua actuação não fizer diminuir a liberdade dos outros cidadãos. Não podemos admitir que o Estado imponha aos cidadãos o seu julgamento moral sobre o que se pode ou não pode fazer.
- O aborto é uma realidade lamentável mas inescapável. Embora seja triste que muitas mulheres efectuem abortos, essa é uma realidade que não podemos evitar. Podemos naturalmente tentar evitar o maior número possível de abortos individuais, mas devemos também procurar que os abortos que, de qualquer forma, serão praticados, o sejam nas melhores condições possíveis e com o menor sofrimento possível. Só a despenalização do aborto, dentro de um prazo realista (praticável), permite garantir que todas as mulheres que estejam firmemente determinadas a abortar o farão em condições seguras e não traumatizantes.
- Médicos Pela Escolha
- Eu Voto Sim
- Jovens pelo sim
- Movimento de Cidadania e Reponsabilidade pelo Sim
- Women on Waves
- http://peladespenalizacaodaivg.blogspot.com/
- http://www.mdmulheres.com
- http://www.cgtp.pt/ivg/
IVG: A MULHER DECIDE, A SOCIEDADE RESPEITA, O ESTADO GARANTE
CURIOSIDADE...
Não resisiti..."Deliciem-se" também!Dá gosto ler...
http://os-olhos-da-alma.blogspot.com/2006/12/porque-serra-encerra-em-sieste-segredo.html
http://os-olhos-da-alma.blogspot.com/2006/12/serra-da-estrela.html
http://os-olhos-da-alma.blogspot.com/2006/12/era-uma-vez-na-serra-da-estrela_17.html
(Clicar nos links)
In:http://os-olhos-da-alma.blogspot.com/
Lembra-se da casa do Ti Zé Brás?



Ouvi uns rumores acerca da construção de uma oficina-automóvel neste local, espero que o IPPAR não permita tamanha barbaridade!
Nesse altura é que era...a toque de "minis"

Esta taça de 2º lugar no torneio de silvares...ai ai...Desconfiámos ter sido trocada pela de 4º, até porque depois apareceram placas identificativas colocadas tortas de fresco..."caseiradas" tipicas por aquelas paragens...

Clique sobre as fotos para aumentar
Os ultimos guerreiros da terra batida...
Da esquerda para a direita em cima: César "cueca"; Romeu "cstiano";Zé Mário; Gabriel "Mguel" (na altura aínda tinha o bigode preto, logo aínda podia jogar); Tó Grilo e Ruben. Em baixo: Zé Brás "pirra" (ai se ele lê isto...antigamente atiravam-nos pedras e uma vez foi com uma cabeça de nabo no olho da minha irmâ Marina porque chamou "cassapo" ao Carlos, o mais velho); Tonito da Rata; Pedro "Botas ou Campaínhas"; Eu, moi, myself, (também apelidado na altura de Jaime Pacheco ou Jaimito e erradamente por "chota", uma vez que essa alcunha já tinha dono, perencia ao meu tio Alexandre, vizinho do Zé Mário) e ao fim o meu Irmão Pedro "Costa ou testinha".Faltaria ali da altura, o Tó das Ladeiras "Biló" e o Carlitos "Sacristão", perdoem-me aqueles de quem não me lembro.
Penso que foi a ultima vez que uma equipa de futebol de 11 jogou no campo de futebol de 11, aínda eu era "guedalhudo" e conseguia correr atrás dos maus...
Terá sido acerca de 10 a 15 anos atrás, porém não me recordo de que jogo se tratava, se alguém puder lembrar...é só clicar no "urra aqui"
quinta-feira, janeiro 04, 2007
quarta-feira, janeiro 03, 2007
sábado, dezembro 30, 2006
Torneio de Matrecos - mais informação
terça-feira, dezembro 26, 2006
Torneio de Matrecos na CPC
segunda-feira, dezembro 25, 2006
FESTA DE FIM DE ANO NA CPC

sábado, dezembro 23, 2006
Joyeux Nöel from Luxemburg
sexta-feira, dezembro 22, 2006
NATAL
É preciso, é necessário, urge
Que se renasça, se cresça
E que, enfim, o sonho continue a alimentar a vida...
E que Natal é hoje , a toda a hora,
Todos os dias devem ser de Natal,
E como tal, importante não é apenas estar,
É também ser! Sermos!...
É preciso, é necessário relançar o amor,
Fútil, é continuar a olhar para as pequenas coisas,
Só as grandes causas nos fazem renascer e crescer...
Urge, assim, que continuemos a sonhar,
Importante é mesmo amar,
Não temos alternativa!...
Por aqui passará muito do segredo da vida.
NATAL, SEMPRE !...
Tonho ( 22 de Dezembro de 2000)
quinta-feira, dezembro 21, 2006
convivio do Casegas vai nua...
JC sempre em grande!

Lázaro
A multidão aproxima-se e vê Jesus que está a chamar Lázaro.
— Lázaro! Levanta-te, Lázaro.
E Lázaro, nem liga nem se mexe.
— Lázaro! Levanta-te, Lázaro — repete Jesus.
E nada de Lázaro se levantar.
— Lázaro! Levanta-te, Lázaro. A malta tá toda aqui à tua espera.
E nada...
Então Jesus vira-se para a multidão que a tudo observa com ansiedade e, decepcionado, diz:
— Desculpem lá malta. Desta vez, ele morreu mesmo.
Crise
E o legionário romano urra para Cristo que estava na cruz:
— Ó meu vê lá se tás quieto e juntas os pés que este aqui é o último prego!
Naquele tempo...
... estava Jesus a pregar na Galiléia quando Ele viu seus fiéis seguidores João, José e Simões. E Ele viu que era hora de ser homenageado por eles edisse-lhes:
— Beija-me a mão, João.
E João beijou a mão de Jesus.
— Beija-me o pé, José.
E José beijou o pé de Jesus.
— Simões! Ó Simões! Volta aqui, Simões — falou Jesus decepcionado com seu fiel seguidor Simões.Então é Natal...
está hoje em dia muito mediatizado e tem vindo aos poucos a desviar-se daquilo que realmente representa dando lugar, entre outras coisas, a um consumismo infernal!A Celebração do Natal antecede o cristianismo em cerca de 2000 anos.
Tudo começou com um antigo festival mesopotânico que simbolizava a passagem de um ano para outro, o Zagmuk.
Para os mesopotânios, o Ano Novo representava uma grande crise. Devido à chegada do inverno.
A Mesopotâmea, chamada de mãe da civilização, inspirou a cultura de muitos povos, como os gregos, que englobaram as raízes do festival.
Mais tarde, através da Grécia, o costume alcançou os romanos, sendo absorvido pelo festival de nome Saturnalia (em homenagem a Saturno). A festa começava no dia 17 de dezembro e ia até o 1º de Janeiro, comemorava-se o Solstício do inverno. De acordo com seus cálculos, o dia 25 era a data em que o Sol se encontrava mais fraco, porém pronto para recomeçar a crescer e trazer vida às coisas da Terra. Durante a data, que acabou conhecida como o Dia do Nascimento do Sol Invicto, as escolas eram fechadas e ninguém trabalhava, eram realizadas festas nas ruas, grandes jantares eram oferecidos aos amigos e árvores verdes - ornamentadas com galhos de loureiros e iluminadas por muitas velas - enfeitavam as salas para espantar os maus espíritos da escuridão. Os mesmos objectos eram usados para presentear uns aos outros.
Apenas após a cristianização do Império Romano, o 25 de dezembro passou a ser a celebração do nascimento de Cristo. Conta a Bíblia que um anjo, ao visitar Maria, disse que ela daria a luz ao filho de Deus e que seu nome seria Jesus.
Na antiguidade, o Na
tal era comemorado em várias datas diferentes, pois não se sabia com exatidão a data do nascimento de Jesus. Foi somente no século IV, que o 25 de dezembro foi estabelecido como data oficial de comemoração.As antigas comemorações de Natal costumavam durar até 12 dias, pois este foi o tempo que levou para os três reis Magos chegarem até a cidade de Nazaré e entregarem os presentes ao menino Jesus. A simbologia da entrega de prendas actualmente está relacionada com as oferendas dos reis Magos.
Do ponto de vista cronológico, o Natal é uma data de grande importância para o Ocidente, pois marca o ano 1 da nossa História.
E a Árvore de Natal e o Presépio??

Acredita-se que esta tradição começou em 1530, na Alemanha, com Martinho Lutero. Certa noite, enquanto caminhava pela floresta, Lutero ficou impressionado com a beleza dos pinheiros cobertos de neve. As estrelas do céu ajudaram a compor a imagem que Lutero reproduziu com galhos de árvore em sua casa. Além das estrelas, algodão e outros enfeites, ele utilizou velas acesas para mostrar aos seus familiares a bela cena que havia presenciado na floresta.
Actualmente as árvores de Natal estão presentes em diversos lugares, pois além
de decorar, representam um símbolo de alegria, paz e esperança.O presépio também representa uma importante decoração. Ele mostra o cenário do nascimento de Jesus. Origem principal destas festividades. Esta tradição de montar presépios teve início com São Francisco de Assis, no século XIII.

E o Pai Natal??
Estudiosos afirmam que a figura do bom velhinho foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. O bispo, homem de bom coração, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas.
A associação da imagem de São Nicolau ao Natal aconteceu na Alemanha e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo. Em 1881, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou o bom velhinho com uma roupa nas cores vermelha e branca (as cores do refrigerante) e com um gorro vermelho com pompom branco. A campanha publicitária fez um grande sucesso e a nova imagem espalhou-se rapidamente pelo mundo durando até hoje.
E a comida??

O final do mês de Dezembro era a época perfeita para celebrações na maior parte da Europa. Neste período do ano muitos do animais criados nas fazendas eram mortos para poupar gastos com alimentação durante o inverno. Para muitas pessoas esta era a única época do ano em que poderiam dispor de carne fresca para sua alimentação. Além disso, a cerveja e o vinho produzidos durante o ano estavam fermentados e prontos para o consumo no final do inverno.
A história do natal é controversa desde o início. Muitas das celebrações que deram origem ao feriado cristão eram práticas pagãs e, por isso, eram vistas com maus olhos pela Igreja Católica. Hoje, as tradições de Natal diferem de acordo com os costumes de cada país, de qualquer modo continua a ser uma grandioza festa!
terça-feira, dezembro 19, 2006
Conto alusivo à comemoração mais hipócrita do ano

Ceia de burro em noite de Natal
Era um burro grande. Grande e sereno. Meio assim parecido comigo, atrelado a esta carroça de lixo que é a vida, recolhendo detritos, farrapos de sentimentalismo, de recordações, de recordações...E madrugador também, burro namorando estrelas lá no Paraíso. O Paraíso é alto. Tem um jardim lá não muito edênico. Não tem cravo, nem nardo, nem cinamomo. Mas tem um jardim que se chama praça e que dá muito asfalto na primavera. As maçãs do Paraíso custam muitos cruzeiros. E a tantos cruzeiros, qualquer pecado é inflacionário. O Paraíso não tem cobras. Tem pneumáticos, que nada têm a ver com serpentes. Áspides escravizadas a pernas que rodam e de que o mundo moderno cortou a cabeça.Mas o burro estava ali, velho, velho, sereno, sereno, e não entendendo nada do Paraíso. Que é que é Paraíso para um burro? É um lugar cheio de luzes e de fantasmas, que passam rolando e desprendendo cheiro de gasolina. Ah... se ele pudesse, numa madrugada dessas, comer os brotinhos bem tenros do jardim! Paraíso, para o meu burro, é lugar que se faz em três paradas. É sempre longe dos canteiros verdes.E caminhando assim pela madrugada, o burro antigo lá vai, namorando a amplidão. Que se todas aquelas estrelas fossem feitas de capim gordura, o velho atrelado à carroça de lixo sofreria mais que todo mundo, só de olhá-las sem poder comê-las... Mas estrelas são de um azul claro. E claro não tem prestígio pra burro, como o tem aquela vegetação saborosa da praça, depois da chuva.E há sempre três paradas. Uma na esquina da Sears, outra no meio da praça que se chama Osvaldo Cruz, mas que para o burro é bem mais cruz que Osvaldo.Entretanto, hoje há uma novidade nas paradas do Paraíso. É que ali, no meio da praça, justamente no segundo “ôhhh” do lixeiro, há uma árvore de Natal. Uma árvore de Natal de um verde novo, lembrando assim aquelas saladas de capim mimoso que o burro se acostumou a comer na distante infância de burrinho.E, então, o burro sereno, o burro manso e nunca farto, começou, tranqüilamente, a comer a árvore de Natal. É justo, é razoável, é um bálsamo aos vinte anos que ele cruza pela mesma praça sem nunca ter tido seu prêmio. A recompensa aí está. Uma árvore de Natal deve ser um grande pitéu para um burro de fomes confusas.Mastigar árvores de Natal é espiritualizar-se. Que gosto teria? Sei lá. Pergunte ao burro. Deve ter gosto de Papai Noel ou de lágrima de Menino Jesus.Não me perguntem mais, porque eu não como árvores de Natal. Como um prosaico pão com queijo toda madrugada, que sempre tem gosto de estopa ou de papel almaço.
Osvaldo Molles











