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segunda-feira, dezembro 29, 2008
terça-feira, outubro 21, 2008
quinta-feira, outubro 16, 2008
Chuchurumel, novo album. Espectacular!
Simplesmente espectacular este trabalho do César Prata e Julieta Silva, a "Jú" que já nos visitou na CPC com os "Diabo a Sete", duas máquinas tocadoras. Não conhecia esta banda, conhecia o exelente trabalho dos Diabo a Sete, e algumas coisas que o Atumnespereira me passou do César Prata, juntos fazem uma bela parelha!
São os Chuchurumel e o album é a "Posta Restante"(2007, este andava-se-me a escapar, se bem que o Zé Augusto já me tinha falado deste projecto. Negligência minha).
Descobri-o num workshop que fizeram os dois na guarda, sobre instrumentos tradicionais à cerca de 15 dias.
É um espectáculo esta recolha que em nada fica atrás das do Giacometti e do Lopes Graça(que também recolheram em Casegas), muito pelo contrário.
É uma delicia esta Posta Restante.
Os nossos parabéns à "Ju" e ao César Prata.
Esta até nas discotecas dá para passar. Há coisas fantásticas não há?
Visita o site: www.chuchurumel.com e encomenda o album, vale a pena! Palavra de Fã da Musica Popular tradicional Portuguesa!
Letra:
Coquelhada marralheira
nun t'amarres ne ls adiles
porque bénen ls pastores
i te scáchan ls quadriles.
Las chocalhas rúgen, rúgen,
Ls carneiros alhá ban,
An chegando a Ourrieta Cuba
Anda que eilhes bolberan.
Ó perrin pin porra
amprenhei ua pastora
al tuoro de la trobisqueira
l cerron de cabeceira
i ls perros gau gau
i l lhobo ne l ganau.
Cotovia encalorada
não te agaches nos adis
porque vêm os pastores
e te partem os quadris.
Os chocalhos tocam, tocam,
Os carneiros lá vão,
Ao chegarem a Ourrieta Cuba
Deixa que eles voltarão.
Oh perrim pim porra
engravidei uma pastora
ao toro da trovisqueira
o surrão de travesseira
e os cães ão ão
e o lobo no rebanho.
Notas à tradução
O adjectivo «marralheiro» diz-se do tempo muito quente e abafado, que mal deixa respirar. Se aplicado à cotovia, espécie de pássaro, pretende significar que ela está cheia de calor. Daí que tenha traduzido por encalorada, cheia de calor, e que, por isso, se espoja no chão para obter alguma frescura como é próprio dessas aves, que fazem o próprio ninho no chão ao toro de arbustos como a trovisqueira ou outros.
Mas não tenho a certeza que «marralheira», neste caso, não tenha sido uma adaptação do adjectivo mirandês «amarradeira», que significa «que se agacha, que tem o hábito de se agachar». Mas isso tem uma razão de ser, em minha opinião, como digo a seguir.
Em qualquer dos casos a palavra aponta para o hábito (seja devido ao calor ou a outras razões) que esse passarinho tem de se agachar no chão e de aí fazer o ninho, ficando por isso mais exposta a ser pisada ou apanhada pelos pastores quando andam a apascentar os rebanhos pelos montes ou terras que não estão cultivadas (adis).
A «coquelhada» corresponde à sub-espécie maior das cotovias, pois as mais pequenas são de outra sub-espécie e tomam em mirandês o nome de «chelubrina». O nome coquelhada vem-lhe de terem levantadas as penas da cabeça, formando uma espécie de penacho (neste caso «coculho» em mirandés).
É-me difícil traduzir para português «rúgen, rúgen», por um só verbo, pois este significa fazer barulho. O mais literal seria «chocalham, chocalham», mas não sei se fica bem. Talvez pudesse ser também «tinir», mas isso é mais o som das campainhas. Outra hipótese seria «soam, soam», mas isso aplica-se mais aos sinos. Faça como achar melhor.
Ourrieta Cuba é um topónimo da aldeia Duas Igrejas, mas outras aldeias cantam a canção com topónimos locais.
Notas ao sentido da cantiga
Relativamente ao sentido da cantiga não posso deixar de notar o paralelismo subtil, mas quanse brutal, que a cantiga estabelece entre a «coquelhada» que se espoja / rebola na terra e o comportamento da pastora que é apanhada pelo pastor, que tudo deixa por estar com ela, rebolando-a também na terra. Aqui o adjectivo «marralheira» ganha todo o seu significado, ao apontar os «calores» que vêm com o desejo sexual da pastora e que acabam por perdê-la, caso se deixe levar por eles. Daí o recado à «coquelhada» / «pastora»: nun te amarres, isto é, não te deixes levar pelo teu instinto mesmo quando o teu desejo sexual seja grande, isto é, quando estejas «marralheira» ou com muitos «calores» que custam a suportar. Daí que, mais à letra, tenha preferido traduzir a palavra «marralheira» por «encalorada», já que desde logo ressalta o sentido «picante», sexual ou erótico da cantiga..
O recado para a coquelhada / pastora é claro: scachar ls quadriles / ficar preinha. Daí que todo o cuidado seja pouco.
A consequência para o pastor parece ser também má, mas mais prosaica: o rebanho é deixado sozinho e é atacado pelos lobos apesar dos latidos (gau, gau) dos cães.
Em suma, uma cantiga tão simples, mas de uma complexidade tão grande que nela cabe tanta coisa, num genial jogo de imagens que só se entendem se soubermos quais os hábitos desse passarinho que é a «coquelhada», como os descrevi acima, e dos antigos pastores.
Amadeu Ferreira
Obrigado César pela letra e tradução!
Abraço!
São os Chuchurumel e o album é a "Posta Restante"(2007, este andava-se-me a escapar, se bem que o Zé Augusto já me tinha falado deste projecto. Negligência minha).
Descobri-o num workshop que fizeram os dois na guarda, sobre instrumentos tradicionais à cerca de 15 dias.
É um espectáculo esta recolha que em nada fica atrás das do Giacometti e do Lopes Graça(que também recolheram em Casegas), muito pelo contrário.
É uma delicia esta Posta Restante.
Os nossos parabéns à "Ju" e ao César Prata.
Esta até nas discotecas dá para passar. Há coisas fantásticas não há?
Visita o site: www.chuchurumel.com e encomenda o album, vale a pena! Palavra de Fã da Musica Popular tradicional Portuguesa!
Letra:
Coquelhada marralheira
nun t'amarres ne ls adiles
porque bénen ls pastores
i te scáchan ls quadriles.
Las chocalhas rúgen, rúgen,
Ls carneiros alhá ban,
An chegando a Ourrieta Cuba
Anda que eilhes bolberan.
Ó perrin pin porra
amprenhei ua pastora
al tuoro de la trobisqueira
l cerron de cabeceira
i ls perros gau gau
i l lhobo ne l ganau.
Cotovia encalorada
não te agaches nos adis
porque vêm os pastores
e te partem os quadris.
Os chocalhos tocam, tocam,
Os carneiros lá vão,
Ao chegarem a Ourrieta Cuba
Deixa que eles voltarão.
Oh perrim pim porra
engravidei uma pastora
ao toro da trovisqueira
o surrão de travesseira
e os cães ão ão
e o lobo no rebanho.
Notas à tradução
O adjectivo «marralheiro» diz-se do tempo muito quente e abafado, que mal deixa respirar. Se aplicado à cotovia, espécie de pássaro, pretende significar que ela está cheia de calor. Daí que tenha traduzido por encalorada, cheia de calor, e que, por isso, se espoja no chão para obter alguma frescura como é próprio dessas aves, que fazem o próprio ninho no chão ao toro de arbustos como a trovisqueira ou outros.
Mas não tenho a certeza que «marralheira», neste caso, não tenha sido uma adaptação do adjectivo mirandês «amarradeira», que significa «que se agacha, que tem o hábito de se agachar». Mas isso tem uma razão de ser, em minha opinião, como digo a seguir.
Em qualquer dos casos a palavra aponta para o hábito (seja devido ao calor ou a outras razões) que esse passarinho tem de se agachar no chão e de aí fazer o ninho, ficando por isso mais exposta a ser pisada ou apanhada pelos pastores quando andam a apascentar os rebanhos pelos montes ou terras que não estão cultivadas (adis).
A «coquelhada» corresponde à sub-espécie maior das cotovias, pois as mais pequenas são de outra sub-espécie e tomam em mirandês o nome de «chelubrina». O nome coquelhada vem-lhe de terem levantadas as penas da cabeça, formando uma espécie de penacho (neste caso «coculho» em mirandés).
É-me difícil traduzir para português «rúgen, rúgen», por um só verbo, pois este significa fazer barulho. O mais literal seria «chocalham, chocalham», mas não sei se fica bem. Talvez pudesse ser também «tinir», mas isso é mais o som das campainhas. Outra hipótese seria «soam, soam», mas isso aplica-se mais aos sinos. Faça como achar melhor.
Ourrieta Cuba é um topónimo da aldeia Duas Igrejas, mas outras aldeias cantam a canção com topónimos locais.
Notas ao sentido da cantiga
Relativamente ao sentido da cantiga não posso deixar de notar o paralelismo subtil, mas quanse brutal, que a cantiga estabelece entre a «coquelhada» que se espoja / rebola na terra e o comportamento da pastora que é apanhada pelo pastor, que tudo deixa por estar com ela, rebolando-a também na terra. Aqui o adjectivo «marralheira» ganha todo o seu significado, ao apontar os «calores» que vêm com o desejo sexual da pastora e que acabam por perdê-la, caso se deixe levar por eles. Daí o recado à «coquelhada» / «pastora»: nun te amarres, isto é, não te deixes levar pelo teu instinto mesmo quando o teu desejo sexual seja grande, isto é, quando estejas «marralheira» ou com muitos «calores» que custam a suportar. Daí que, mais à letra, tenha preferido traduzir a palavra «marralheira» por «encalorada», já que desde logo ressalta o sentido «picante», sexual ou erótico da cantiga..
O recado para a coquelhada / pastora é claro: scachar ls quadriles / ficar preinha. Daí que todo o cuidado seja pouco.
A consequência para o pastor parece ser também má, mas mais prosaica: o rebanho é deixado sozinho e é atacado pelos lobos apesar dos latidos (gau, gau) dos cães.
Em suma, uma cantiga tão simples, mas de uma complexidade tão grande que nela cabe tanta coisa, num genial jogo de imagens que só se entendem se soubermos quais os hábitos desse passarinho que é a «coquelhada», como os descrevi acima, e dos antigos pastores.
Amadeu Ferreira
Obrigado César pela letra e tradução!
Abraço!
terça-feira, agosto 19, 2008
Corrigenda
Por falha minha, ao chamar ao grupo "de bombos", a tendência é para que se escolham nomes relacionados. Não sei se a ideia de todos é para que se mantenham só os bombos. Eu pessoalmente gostaria que evoluísse para um grupo etnográfico, que abarcasse mais instrumentos tradicionais e outros, inclusive de fabrico próprio (bem, ando para fazer uma zamburra já há meio ano e ainda não lhe peguei hehe!).
Daí ter escolhido alguns nomes que não têm propriamente só a ver com bombos.
Daí ter escolhido alguns nomes que não têm propriamente só a ver com bombos.
segunda-feira, junho 23, 2008
Ora aí está!
Fiquei contente de vos ver a tocar estes instrumentos e de ver adesão feminina ao grupo, o que é muito invulgar, e ainda mais numa terra conservadora como Casegas, espero que seja o prenuncio da reviravolta das mentalidades caseguenses, algumas ainda tacanhas em demasia.
Isso com mais um pifarosito ou uma gaita de foles portuguesa e certamente com um empurrãosito da Velha Gaiteira (recém nomeados pela Balconytv Music Video Awards 2008 na categoria de Best International Act) e do Ricardo, que agora está como antropólogo a tempo inteiro na Casa do Povo do Paúl e tenho a certeza que teria todo gosto em vos ensinar a "gaitar". A seguir venham os intercâmbios!
Penso que sendo vocês todos músicos, isso com mais um instrumento ou outro (alguns de fabrico artesanal), um grupo do género tem todas as condições para ter sucesso em Casegas, o que poderá passar com alguma fusões com a Banda ou com o grupo de cantares.
Os meu parabéns ao grupo e em especial à jovem filha do Gabriel Mateus cujo nome não sei (desculpa lá isso)!
É assim mesmo!
Selecções destas sim! Esperava daqui a uns tempos ve-los a subir a eira com eles como numa das primeiras actuações destes "caramelos":
Ver mais da Velha Gaiteira em Casegas
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Rebimbómalho e Diabo a Sete no TAGV
Apresentação do Album "Parainfernália" dos Diabo a Sete
Com a presença do Rafa e Zé Augusto.
Exelente!
domingo, outubro 28, 2007
sexta-feira, agosto 10, 2007
Casa do Povo brinda Casegas com os "Velha Gaiteira"
Aos Velha Gaiteira, tal como prometido, cá está o filme partidinho aos pedaços.Obrigado mais uma vez malta! Foram espectaculares!
Para o Xico do Blog de S.Jorge obrigado pela reportagem e filmagens. Abraço!
quarta-feira, julho 25, 2007
"Sons da terra" (continuação)
Tocándar (gostava de os ver em Casegas)e "Adufeiras do Paúl" (talvez venham a Casegas daqui a uns mesitos, têm um espetáculo engraçado...a Leonor é danada)
Gaiteirus
segunda-feira, junho 11, 2007
Sebastião, O GRANDE! Ao vivo na CPC
Blues dedicado ao Homero, o Carteiro do Saramago
Balada do Desajeitado
Um concerto memorável para toda a gente!
Desculpem o som, mas a minha maquineta não dá mais, apenas para recordar...
Temos de repetir isto!
sábado, junho 09, 2007
A não perder, hoje às 18 na Casa do Povo
Sebastião Antunes, vocalista dos Quadrilha
O objectivo de Sebastião Antunes, mentor do que em tempos foram os "Peace Makers" e que, desde 1991, deu origem ao grupo Quadrilha, é fazer a fusão entre formas próprias da tradição portuguesa e uma certa sonoridade Celta. Por outro lado, tem uma preocupação - fazer chegar a música popular às classes etárias mais novas. Segundo o próprio, é muito importante que os jovens se identifiquem com a sua música e, acima de tudo, que sintam que é algo que lhes pertence.
Saiba mais aqui
O objectivo de Sebastião Antunes, mentor do que em tempos foram os "Peace Makers" e que, desde 1991, deu origem ao grupo Quadrilha, é fazer a fusão entre formas próprias da tradição portuguesa e uma certa sonoridade Celta. Por outro lado, tem uma preocupação - fazer chegar a música popular às classes etárias mais novas. Segundo o próprio, é muito importante que os jovens se identifiquem com a sua música e, acima de tudo, que sintam que é algo que lhes pertence.domingo, janeiro 28, 2007
Depois da Banda o Grupo de Cantares Sol Nascente
Eis a actuação do grupo de cantares Sol Nascente na Festa de Fim de Ano da Casa do Povo de Casegas:
quinta-feira, janeiro 25, 2007
Festa de fim de ano na Casa do Povo de Casegas
Desculpem o som, que não está nas melhores condições: o nosso cameraman decidiu ir filmar para cima dos musicos. Provavelmente também já não estaria nas melhores condições, pois a festa foi de arromba!
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