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sexta-feira, agosto 31, 2007

Loiças de uso comum



Uma das peças fundamentais do "trem de cozinha" das casas das nossas avós eram as panelas. Usadas para fazer comida ou simplesmente para aquecer a água. Devido à sua fragilidade, quase nunca chegaram aos nossos dias e foram substituidas por outras que lhes copiaram a forma mas que eram feitas de um material mais duradouro - o ferro.
Possivelmente todas as olarias da região produziam panelas com esta forma, mas, esta de que mostro uma fotografia, é proveniente do outro lado da Serra. É de trás de serra como se dizia.
O barro usado na confecção é de uma cor mais encarniçada, sendo a cor exterior obtida mergulhando a peça já seca numa argila amarela diluida em água. A peça fica como que pintada.
A Casegas chegava também loiça de trás de Serra

quinta-feira, agosto 23, 2007

Loiça de barro usada em Casegas e procedência

Fig. 1

Muita da "loiça normal", usada em Casegas vinha dos oleiros do Telhado. Contudo, outros centros de produção forneciam as famílias de Casegas. Hoje vou apresentar loiça de Miranda do Corvo, que era trazida pelos almocreves que percorriam a estrada do Sal, ou então era trazida pelos peregrinos que iam à festa da Senhora das Preces.
A loiça de Miranda do Corvo era muito boa para assar coisas no forno. era resistente aos choques térmicos e quando era brunida como é o caso desta assadeira era muito decorativa. Esta cor natural preta, não lhe é dada pela cor do barro, que é vermelho, mas por uma operação que se faz durante o processo de cozedura da loiça. O nome técnico dessa operação é "Redução" e consiste em reduzir bruscamente a temperatura dentro do forno onde estão as peças a cozer. Para efectuar esta operação havia várias técnicas mas a mais usada é introduzir ramas verdes dentro do forno. Como a introdução de matérias verdes e a própria abertura do forno, provocam um abaixamento da temperatura das peças, estas, que estão ao rubro, chupam o ar que existe dentro do forno que é constituído pelo fumo negro libertado pelas ramas verdes em combustão.
As peças ficam então com esta cor negra característica. As peças brunidas ficam por vezes com uns brilhos metálicos. Se estas peças voltassem ao forno do oleiro e fossem cozidas de novo, voltariam a ser vermelhas, devido à combustão do carbono que se havia infiltrado na operação anterior. O choque térmico provocado pela "Redução", capacita estas peças para resistirem bem ao forno


Fig.2
Fig. 3

Legenda: Fig.1 Assadeira, fig.2 e 3 Assadeira de chanfana
No primeiro caso serviam as mais pequenas para coelhos e as maiores para cabritos.
No segundo caso, servia para assar cabra velha no forno do pão. A típica chanfana.

sexta-feira, julho 20, 2007

ETNOLOGIA, Pequenas histórias de Casegas



Durante todo o ano, era necessário abastecer a casa de água, mas no verão, a água de beber, tornava-se absolutamente essencial. Para a ir buscar e manter fresca, usavam-se vários tipos de bilhas e cântaras. As mais comuns, eram estes dois tipos de cântaras que apresento. O de uma asa e o de duas que em geral tinha uma malga que se usava para tapar a boca e para beber. Estes dois tipos de cântara eram produzidos pelos oleiros do telhado. Em todas as casas de Casegas, da mais umilde à mais rica existia um movel, a cantareira, que servia para guardar estas cântaras da água. Estavam em algumas casas colocadas estratégicamente ao lado da porta da rua, ao fundo das escadas e uma malga de água não se negava a ninguém. Era um costume, os netos irem buscar àgua para as suas avós e água de beber ia-se buscar pela fresca. Ou de manhã, ou então depois do por do sol.
A terceira foto, é de uma cântara de trás de Serra e os oleiros também se deslocavam até casegas para vender as suas produções.A pasta cerâmica, é mais amarelada, enquanto que a do telhado é vermelha