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quarta-feira, junho 18, 2008

Obrigado Fernando Pessoa


Álvaro de Campos
Lisbon Revisited
(l923)
NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

terça-feira, junho 10, 2008

Dia de Portugal, de Camões e da Canalha que nos rouba.

Como não tive tempo para fazer um post assinalando o 10 de Junho, e uma vez que a roubalheira está na moda, roubei mais um precioso contributo ao Kaos.

 “10 junho

Para ampliar imagem clicar "AQUI"

Meus caros amigos

Como disse no post em que decidi fazer um intervalo na minha passagem pela blogosfera, ando farto desta merda em que estamos atolados, deste país de alterne onde nem somos governados pelas putas, mulheres que pelo menos vendem aquilo que é seu, mas pelos seus filhos, chulos que usam, abusam e vendem aquilo que é de todos nós. Agradeço os muitos comentários que fizeram e no fundo não posso deixar de me sentir “babado” por tanta gente dizer que aquilo que faço serve para alguma coisa e sensibilizado pela amizade demonstrada, mas não deixo de me questionar se realmente não acabo a servir o sistema que tanto critico. Que estamos nós realmente a conseguir mudar, que incomodo conseguimos nós fazer contra o movimento deste enorme e pesado comboio dos Bilderberg já em velocidade de cruzeiro. Até onde estamos nós dispostos a ir e fazer para o parar? Até onde tenho eu o direito de o fazer se isso colocar em causa o haver pão na mesa para os meus filhos? Posso eu perder o emprego, posso eu prejudica-los só porque estou convencido que de outra forma também o seu futuro está comprometido? Como posso eu dizer que a minha verdade é mais verdadeira que a desta gente? Eles têm tudo, os órgãos de comunicação, a força, a legalidade, e até o futuro dos meus filhos nas suas mãos. Eu só tenho a minha consciência burguesa, a minha lógica que me faz antever uma nova idade média e o meu medo. Tinha 17 anos em 1974, vislumbrei um país novo, um povo que solidário, uma alegria, uma cor e sentimentos que me fizeram acreditar que a utopia era possível. Até hoje nunca quis acreditar que estava enganado e recuso-me a aceitar o fim desse sonho. Como será possível concretizá-lo não sei, mas não posso desistir.
Fazer este blog pode contribuir para o tal “pauzinho na engrenagem”, mas é claramente irrelevante para avariar esta máquina que nos tritura. É necessário fazer mais, muito mais. Temos de ultrapassar os nossos medos, as regras que inventaram para nos manter bem comportados, os partidos, os sindicatos, e todas as organizações que criaram para nos fazerem festejar ou manifestar em dias certos e com hora marcada.
Hoje é dia de Portugal e amanhã volta a jogar a selecção para agitarmos as bandeiras e esquecermos as tristezas e as desgraças desta vida que a corja nos impõe. A revolta, essa terá de ser adiada para depois, para quando acabar o campeonato, quando acabarem os jogos olímpicos e o orgulho que vamos sentir de ver a Vanessa Fernandes de medalha de ouro ao peito, para depois do verão pois já todos temos as férias planeadas e marcadas. Depois, entre duas telenovelas, o Prós e o Contras ou no intervalo de um jogo do Benfica, talvez encontremos um tempinho para fazer uma revolução. Se não houver, podemos sempre escolher um dos partidos de alterne para votar e ficarmos de consciência tranquila pelo dever cumprido. Eu por mim cá continuarei a fazer bonecos sabendo que nada altero, mas satisfazendo-me só de pensar que possa, de quando em vez, irritar alguém. Se pelo menos conseguir que alguém sorria nesta vida cinzenta para onde nos estão a atirar já não será mau.

Contributo para o Echelon: 15kg, DUVDEVAN

Este diz que é o "dia da raça"...
Que raça de gente esta!

Só o Kaos me faz rir neste país triste...

domingo, maio 04, 2008

Dia da Mãe


O Dia das Mães tem a sua origem no princípio do século XX, quando uma jovem americana, Annie Jarvis, perdeu sua mãe e entrou em completa depressão. Preocupadas com aquele sofrimento, algumas amigas tiveram a idéia de perpetuar a memória da mãe de Annie com uma festa. Annie quis que a homenagem fosse estendida a todas as mães, vivas ou mortas. Em pouco tempo, a comemoração e consequentemente o Dia das Mães se alastrou por todo Estados Unidos e, em 1914, sua data foi oficializada pelo presidente Woodrow Wilson: dia 9 de Maio. Em Portugal, o Dia das Mães é celebrado no 1º domingo de Maio.

quinta-feira, maio 01, 2008

História do 1º de Maio

Manifestações do Primeiro de Maio de 1886
Portugueses assinalaram em unidade o primeiro Dia do Trabalhador em liberdade em 1974

A História do Dia do Trabalho remonta o ano de 1886 na industrializada cidade de Chicago (Estados Unidos). No dia 1º de maio deste ano, milhares de trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho, entre elas, a redução da jornada de trabalho de treze para oito horas diárias. Neste mesmo dia ocorreu nos Estados Unidos uma grande greve geral dos trabalhadores.

Dois dias após os acontecimentos, um conflito envolvendo policiais e trabalhadores provocou a morte de alguns manifestantes. Este fato gerou revolta nos trabalhadores, provocando outros enfrentamentos com policiais. No dia 4 de maio, num conflito de rua, manifestantes atiraram uma bomba nos policiais, provocando a morte de sete deles. Foi o estopim para que os policiais começassem a atirar no grupo de manifestantes. O resultado foi a morte de doze protestantes e dezenas de pessoas feridas.

Foram dias marcantes na história da luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho. Para homenagear aqueles que morreram nos conflitos, a Segunda Internacional Socialista, ocorrida na capital francesa em 20 de junho de 1889, criou o Dia Mundial do Trabalho, que seria comemorado em 1º de maio de cada ano

segunda-feira, abril 28, 2008

Feijoada do 25 de Abril não pode falhar na CPC! Ai vão elas!

Passeios pelo jardim
Nova aquisição à auto transportes um pack em promoção de motorista+detector de toupeiras
Matraquilhada, os resistentes adeptos deste jogo


O "da volta" vem sempre da Suiça, não falha um ano
Uma sorte meu, ficaste com a "garrafeta" só para ti este ano!
Quando estes dois não aparecerem é porque nesse ano não houve feijoada! Heh!
SEMPRE!
Malta nova
Os 2 bigodes besuntados

Este ano a feijoada foi entregue às mulheres, afinal estamos em casa e data de igualdades.
Um agradecimento especial às sócias "Beatriz do Gabriel" e Diamantina por toda a logística. Voluntárias incondicionais que não podem passar ao lado dos sócios a realçar. Não esquecendo os garrafões de vinho do Zé Neves que também devem ter marcado a habitual presença, que é quase a adega do Povo(e não estive lá para ver hehe)!

domingo, maio 06, 2007

A TODAS AS MÃES CASEGUENSES.....



POEMA À MÃE


No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...

Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
"Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal..."

Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...

Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...

Boa noite. Eu vou com as aves!


Eugénio de Andrade